Com o avanço no uso de medicamentos com semaglutida para redução do apetite e emagrecimento, cresce também o interesse por alternativas naturais do que comer que atuem nos mesmos mecanismos hormonais. Um estudo recente, publicado no periódico The American Journal of Clinical Nutrition (AJCN), reuniu evidências sobre como a alimentação e o estilo de vida podem influenciar a produção do hormônio GLP-1, associado à saciedade e ao controle glicêmico.
Realizada por pesquisadores da Universidade de Navarra, na Espanha, e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a revisão aponta que, embora a liberação endógena de GLP-1 não alcance os patamares induzidos por medicamentos como a semaglutida, determinadas estratégias nutricionais são capazes de estimular, de forma significativa, sua produção no organismo.
O que comer?
O que comer para aumentar a produção endógena de GLP-1:
- Consumo de fibras fermentáveis: Presentes em leguminosas, vegetais, grãos integrais, sementes e nozes. Estimulam a produção de ácidos graxos de cadeia curta no intestino, que promovem a liberação de GLP-1
- Ingestão de gorduras monoinsaturadas: Fontes: azeite de oliva, abacate. Promovem maior liberação de GLP-1 do que as gorduras saturadas
- Ordem dos alimentos nas refeições: Consumir vegetais e proteínas antes de carboidratos simples aumenta a liberação de GLP-1
- Horário das refeições: Refeições feitas pela manhã têm maior impacto na liberação do hormônio, devido à maior responsividade do corpo
- Velocidade da mastigação e do consumo: Comer lentamente e mastigar bem os alimentos favorece a resposta hormonal. Exemplo do estudo: consumir sorvete em 30 minutos gerou mais GLP-1 do que comê-lo em apenas cinco minutos
Análises profundas
Embora tenha potencial, a produção natural de GLP-1 apresenta limitações. Segundo os autores, comer no estilo mediterrâneo pode elevar a concentração do hormônio para aproximadamente 59 picogramas por mililitro de sangue — um valor significativamente inferior ao alcançado por medicamentos como a semaglutida, que podem atingir até 65 nanogramas por mililitro, ou seja, mil vezes mais.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que os efeitos adversos associados ao uso de fármacos e seus custos elevados tornam as estratégias dietéticas uma alternativa importante. Tais abordagens representam uma forma mais acessível e segura de estimular a saciedade, auxiliar no controle do apetite e favorecer a saúde metabólica a longo prazo.






