Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) realizaram um estudo que analisou a “economia azul” no Brasil, composta pelas atividades econômicas diretamente ligadas aos recursos marinhos. O trabalho, baseado em um modelo inter-regional de insumo-produto, avaliou os impactos econômicos diretos e indiretos dessas atividades, destacando a importância do litoral para a economia nacional e sua conexão com regiões interiores.
O artigo resultante foi publicado na revista Ocean Sustainability e apresentou uma abordagem inovadora ao quantificar a economia do mar, considerando sua dimensão geográfica e as inter-relações produtivas, fornecendo subsídios para futuros modelos analíticos.
Economia marinha
Em 2019, as atividades diretamente associadas à economia marinha representaram:
- 2,91% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro;
- 1,07% do total de empregos.
Participação dos setores no PIB azul:
- Extração de petróleo e gás natural: 60,4%;
- Administração pública e defesa: 7,4%;
- Armazenagem e transporte: 7,3%;
- Outros setores (defesa, turismo costeiro, transporte marítimo e pesca): restante da participação.
Impacto indireto da economia azul:
- Elevação para 6,39% do PIB;
- 4,45% do emprego nacional.
Conexão econômica:
- Economia azul influencia cadeias produtivas em regiões não costeiras, ampliando seu impacto econômico para áreas interiores do país.
Distribuição regional da economia azul:
- Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) concentra 82% da produção direta;
- Sudeste e parte do Sul: destaque em petróleo e transporte marítimo;
- Nordeste: especialização em turismo costeiro e pesca artesanal.
Municípios com maior participação na economia do mar:
- 50 municípios concentram 90% das atividades nacionais;
- Rio de Janeiro se destaca pela exploração petrolífera.
Aplicações
Os autores destacam a necessidade de superar a fragmentação das políticas marítimas no Brasil para transformar os recursos oceânicos em desenvolvimento sustentável. A metodologia adotada permite uma análise integrada dos impactos diretos e indiretos, abrangendo áreas costeiras e interiores, subsidiando a melhoria de políticas públicas regionais.
Esse modelo já é aplicado em regiões como Ilha da Madeira, Açores e Peru, visando decisões ambientais e econômicas mais eficazes e justas. O estudo contou com financiamento da FAPESP, via projeto INCT para Mudanças Climáticas e bolsa de pós-doutorado.





