Levantamento conduzido pela Korn Ferry indica que o endurecimento das políticas de retorno ao escritório vem influenciando o processo de recrutamento.
Segundo a consultoria, 52% das empresas relatam entraves na atração de candidatos após diminuírem os dias de home office ou migrarem para o modelo totalmente presencial.
Do lado dos profissionais, a expectativa por maior autonomia permanece alta. Pesquisas realizadas no país mostram que 65% dos trabalhadores afirmam que trocariam de emprego para manter a possibilidade de trabalhar remotamente, evidenciando a centralidade da flexibilidade nas decisões de carreira.
Dificuldade de contratar pro presencial
A consolidação desse cenário impõe desafios adicionais às organizações, especialmente em áreas marcadas por forte disputa por profissionais qualificados, como a tecnologia.
Nesses segmentos, a oferta de formatos remoto ou híbrido deixou de ser apenas um diferencial operacional e passou a configurar elemento estratégico na captação e retenção de talentos.
Ao longo do último ano, as empresas que promoveram alterações em suas diretrizes priorizaram, sobretudo, a redução dos dias destinados ao home office.
Ainda assim, a maior parte do mercado, cerca de 75%, manteve suas políticas inalteradas. Em paralelo, a flexibilização de horários se fortaleceu como prática recorrente, presente em aproximadamente 65% das organizações e com expectativa de continuidade ao longo de 2026.
Situação global
Estudos internacionais da Korn Ferry indicam que o debate sobre a organização do trabalho não se restringe ao Brasil. Em diversos países, empresas têm intensificado políticas de retorno ao escritório, ao mesmo tempo em que trabalhadores mantêm preferência por formatos mais flexíveis.
Esse descompasso tem impulsionado revisões nas estratégias corporativas relacionadas à retenção de profissionais, aos critérios de avaliação de desempenho e às iniciativas de engajamento.
No contexto global, ganha força a percepção de que diretrizes excessivamente rígidas quanto à presença física podem reduzir o alcance geográfico das contratações e comprometer a competitividade na atração de talentos qualificados.
Em contrapartida, organizações que estruturam modelos flexíveis e adotam indicadores objetivos para mensurar resultados tendem a demonstrar maior capacidade de adaptação diante das transformações do mercado.





