Dois policiais militares de São Paulo estão presos preventivamente após serem acusados de homicídio doloso contra um morador de rua no bairro do Brás, região central da capital.
A Corregedoria da Polícia Militar determinou a detenção após a divulgação de imagens de câmera corporal que contradizem a versão apresentada pelos agentes envolvidos. O caso, ocorrido em 13 de junho deste ano, gerou forte repercussão após a exibição do vídeo pela imprensa.
2 PMs foram presos sob acusação de homicídio culposo de morador de rua
As gravações mostram Jeferson de Souza, identificado como morador de rua, sendo abordado por integrantes da Força Tática do 7º Batalhão. Durante mais de uma hora, ele permaneceu sob vigilância dos PMs, aparentemente, segundo as imagens, acatando as ordens recebidas.
No momento final da abordagem, é possível vê-lo com as mãos na cabeça e, depois, erguendo-as lentamente à frente do corpo, gesto que, à primeira vista, indicaria colaboração. Mesmo assim, ele foi atingido por três disparos de fuzil, um na cabeça, outro no tórax e o terceiro no braço.
Os disparos foram efetuados pelo tenente Alan Wallace dos Santos Moreira, enquanto o soldado Danilo Gehrinh registrava a cena. Segundo a defesa dos policiais, Jeferson teria tentado tomar a arma de um deles, o que justificaria a reação letal.
Entretanto, nas imagens não há registro claro de qualquer movimento brusco que confirmasse essa alegação. A câmera de Moreira, que realizou os disparos, estava descarregada, o que impediu a captação de sua perspectiva.
O vídeo analisado, divulgado inicialmente pela TV Globo e depois pela Folha de S.Paulo, não possui som nos minutos que antecedem a morte do morador de rua.
O áudio só é ativado após a chegada de outras viaturas ao local. Nesse momento, um dos policiais comenta com colegas que a vítima teria “tentado a sorte” ao perceber que seria detida, chamando-a de “louco”.
Policiais foram afastados após morte do morador de rua e estão presos preventivamente
A Corregedoria instaurou um Inquérito Policial Militar e afastou imediatamente os envolvidos de suas funções operacionais.
Em nota, o governo paulista afirmou que todos os procedimentos cabíveis foram adotados e que os equipamentos do batalhão foram substituídos por modelos de maior autonomia e novas funções.
O Ministério Público, por sua vez, classificou a conduta dos policiais como movida por “motivo torpe” e “mero sadismo”, ressaltando que a vítima estava rendida e não oferecia condições de defesa.
Para o promotor responsável pelo caso, o ato demonstrou desprezo absoluto pela vida humana e agravou-se pela vulnerabilidade social do homem morto.
Agora, os dois PMs aguardam julgamento sob a acusação de homicídio doloso, em um processo que reacende o debate sobre uso da força policial e controle das ações da corporação.





