20 apresentar 20 álbuns de 1992 – Parte 4

Por Júlio Black

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Oi, gente.

Tudo bem?

Chegamos à quarta parte de nossa tradicional série que relembra os grandes álbuns lançados há 30 anos. Já tivemos nos capítulos anteriores os discos de Nick Cave and The Bad Seeds, Lemonheads, Morrissey, Tom Waits, PJ, Harvey, Faith No More, Pavement, Ice Cube, Arrested Development, Sonic Youth, Aphex Twin e Sugar; agora, a “classe de 1992” celebra os trabalhos de Tori Amos, R.E.M., Rage Against The Machine e Kyuss.

A lista de 20 álbuns será encerrada em breve, e pode ter certeza que muita coisa boa ficará de fora, infelizmente, mas receberá a devida menção honrosa. Bora ler as resenhas e ouvir esses discos que são bons demais.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

RAGE AGAINST THE MACHINE, “Rage Against The Machine”

Recentemente, alguns “fãs” do Rage Against The Machine reclamaram que o grupo usou seu primeiro show em 11 anos para “expressar suas opiniões políticas”, com o argumento de que foram lá “para ouvir música” e não “receber uma aula sobre as crenças políticas da banda.” Não sei se é para rir ou chorar ao ler uma notícia dessas, mas uma coisa é certa: se tivessem prestado atenção nas letras (e na capa) do primeiro álbum do RATM, provavelmente não falariam uma asneira dessas – e creio que não estariam no tal “polêmico” show.

Lançado em 3 de novembro de 1992 – o mesmo dia das eleições para presidente dos Estados Unidos -, “Rage Against The Machine” é uma obra-prima por conta da sua fusão entre heavy metal, rap e as letras politizadas de Zak de La Rocha, acompanhadas pela guitarra de Tom Morello. Com letras que deixam explícitas a visão de esquerda da banda, a arrebatadora estreia fonográfica do grupo trouxe clássicos como “Killing in the name”, “Bombtrack”, “Bullet in the head”, “Wake up” e “Know your enemy”.

Em bom português: tem que ser muito alienado para “reclamar de política” num show do RATM.

TORI AMOS, “Little earthquakes”

Há 30 anos, Tori Amos teve a coragem de revelar ao mundo em “Me and my gun”, uma das 12 canções de seu álbum de estreia, o estupro que havia sofrido. Numa época em que “mulheres com atitude” ainda era coisa rara, ela passou a integrar um grupo que tinha nomes como Neneh Cherry, Natalie Merchant e k. d. lang, ou bandas como Babes in Toyland, Bikini Kill e L7, graças a “Little Earthquakes”.

Filha de uma mãe com sangue cherokee e pai que era padre metodista, a cantora e compositora tratava de temas profundos com rara sensibilidade, mesmo quando a barra pesava em suas canções. Foi nesse equilíbrio que seu primeiro álbum trouxe músicas como “Crucify”, “Silent all these years”, a já citada “Me and my gun”, “China” e a faixa-título, representativas de um momento em que as mulheres começaram a ter mais visibilidade para um discurso que ainda hoje precisa enfrentar o machismo e a misoginia – sem esquecer da violência.

R.E.M., “Automatic for the people”

Depois de seis álbuns que lhe garantiram presença na lista de grandes bandas de rock dos Estados Unidos, o R.E.M. já havia surpreendido o mundo com os elementos folks e acústicos de “Out of time”, que vendeu milhões de cópias mesmo sem uma turnê promocional. Um ano depois, o quarteto de Athens elevaria a aposta com o magnífico “Automatic for the people”, mais acústico, reflexivo, triste e até sombrio que o anterior, ainda que tenha seus momentos de pop alegre e guitarras pontuais, porém marcantes.

Primeira música do álbum, “Drive” é uma das grandes canções já compostas pelo R.E.M., acompanhada pelo arranjo de cordas de John Paul Jones, do Led Zeppelin. As faixas seguintes, “Try not to breathe” e “The sidewinder sleeps tonight” (a mais “Out of time” do disco”), mantém o alto nível e preparam terreno para aquela que é considerada a música mais triste do mundo: a dilacerante “Everybody hurts”.

Com um total de 12 faixas, “Automatic for the people” é daqueles trabalhos irretocáveis e que reafirmam o grande momento que Michael Stipe, Bill Berry, Peter Buck e Mike Mills viviam enquanto banda. Outros momentos clássicos do álbum são a conhecidíssima “Man on the Moon”, “Nightswimming”, “Sweetness follows” e “Find the river”. E quem poderia imaginar que, depois desse mergulho acústico, o R.E.M. mergulharia na eletricidade total em “Monster”, dois anos depois.

KYUSS, “Blues for the red sun”

Pode um álbum que vendeu apenas 39 mil cópias na época de seu lançamento estar numa lista de clássicos, 30 anos depois? Claro, pois o que importa aqui é a qualidade, não a quantidade, e “Blues for the red sun” é um senhor disco de rock. O segundo trabalho de estúdio do Kyuss sedimentou a pavimentação do que passou a ser classificado como stoner rock (ou desert rock, se preferir), com seus trovejantes riffs de guitarra e músicas que podiam tanto ter a lentidão de um Black Sabbath ou o atropelo de quem acelera a 200 por hora nas estradas do deserto norte-americano.

Em mais um álbum irretocável, o Kyuss apresentou em “Blues for the red sun” pauladas como “Green Machine”, “50 million year trip (downside up)”, “Thumb”, “Thong song” e “Freedom run”. Quando o sol estiver queimando o asfalto, a ah miga leitora e o ah migo leitor já sabem o que colocar nas caixas de som quando estiverem ao volante.

Júlio Black

Júlio Black

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