Uma nova regra imposta pelo governo federal promete mudar a relação entre plataformas de apostas online e cidadãos de baixa renda. A partir de uma instrução normativa recente, empresas do setor estão proibidas de aceitar cadastros e apostas feitas por pessoas que recebem o Bolsa Família.
A medida visa impedir que recursos destinados à subsistência de famílias vulneráveis sejam usados em jogos de azar.
No entanto, um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou um cenário ainda mais preocupante: há fortes indícios de que milhares de CPFs vinculados ao programa social foram utilizados de maneira fraudulenta para movimentações milionárias em casas de apostas.
CPFs que usaram Bolsa Família em aposta podem ter sido fraudados
Segundo o relatório do TCU, só no mês de janeiro de 2025, foram registrados R$ 3,7 bilhões em transferências de beneficiários do Bolsa Família para plataformas de apostas online.
O dado chamou a atenção não apenas pelo volume, mas pela concentração: 80% desse montante veio de apenas 4,4% das famílias apostadoras.
Há registros extremos, como o de uma única família que teria movimentado mais de R$ 2 milhões em apostas em apenas 30 dias.
Diante desses números, o tribunal aponta a possibilidade de que CPFs de beneficiários estejam sendo usados por terceiros, sem o conhecimento dos verdadeiros titulares.
A suspeita é que criminosos estejam se aproveitando da fragilidade de alguns cadastros para lavar dinheiro através de sites de apostas, mascarando operações ilegais com os dados de pessoas pobres que dependem da assistência pública para sobreviver.
Uso fraudulento de CPFs em apostas podem prejudicar beneficiários do Bolsa Família
O impacto para os beneficiários pode ser grave. Muitos correm o risco de perder o direito ao auxílio por movimentações financeiras que não realizaram.
A simples presença de valores atípicos em contas vinculadas ao programa pode levar à exclusão do benefício, mesmo que a pessoa não tenha tido qualquer envolvimento direto nas apostas.
Além disso, esses cidadãos podem ser alvos de investigações da Receita Federal ou de outros órgãos de controle, o que amplia ainda mais a insegurança e o risco social.
O Ministério do Desenvolvimento Social foi acionado pelo TCU e terá que apresentar, em até 90 dias, um plano para apurar as fraudes e proteger os beneficiários.
O governo já vinha fazendo uma revisão nos cadastros do programa, mas os novos dados indicam que o problema pode ser mais profundo, e que exige resposta rápida para evitar injustiças.
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