De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o PIB brasileiro variou 0,1% no 3º trimestre de 2025, na comparação com o trimestre anterior (série com ajuste sazonal), sinalizando perda de fôlego na atividade econômica. No período, a economia movimentou cerca de R$ 3,2 trilhões, e o resultado foi marcado por um ritmo mais fraco do consumo e dos serviços: o consumo das famílias e o setor de serviços avançaram apenas 0,1%, indicando desaceleração da demanda interna.
Na avaliação do Ministério da Fazenda, a perda de ritmo do consumo das famílias contribuiu para reduzir a velocidade de expansão do PIB. Um dos fatores por trás desse comportamento é a política monetária restritiva: com a taxa Selic em 15% ao ano, o crédito tende a ficar mais caro e o custo das dívidas aumenta, reduzindo a disposição das famílias para consumir e financiar compras. Apesar disso, o desempenho do trimestre foi parcialmente sustentado por outros componentes da demanda. Ainda segundo o IBGE, houve crescimento do consumo do governo (1,3%) e dos investimentos (0,9%), além de alta nas exportações (3,3%), o que ajudou a amortecer a desaceleração.
Com a SELIC mantida em nível restritivo por um período prolongado, há também aumento do comprometimento da renda com dívidas, o que tende a induzir um comportamento mais cauteloso, com postergação de compras e redução do consumo discricionário, especialmente em setores intensivos em demanda interna, como comércio e serviços. Ao mesmo tempo, a política monetária restritiva é um instrumento central para o controle da inflação, mas seus efeitos defasados podem se refletir em crescimento mais lento no curto prazo, reforçando o desafio de equilibrar estabilidade de preços e dinamismo da atividade econômica.
Para o IBGE, o crescimento das exportações foi influenciado por movimentos específicos em alguns segmentos: a indústria extrativa teve forte desempenho nas vendas externas, e houve aumento das exportações de soja e carne para a China. Ainda de acordo com a leitura apresentada, mesmo com impactos setoriais associados ao “tarifaço”, parte dos exportadores conseguiu redirecionar mercados e manter o ritmo das vendas, o que ajudou a sustentar o resultado do trimestre.
Do lado fiscal, o avanço do consumo do governo e o impulso a investimentos públicos tendem a atuar de forma contracíclica em momentos de desaceleração, ajudando a sustentar a demanda agregada quando o consumo privado perde força. Além da dinâmica dos juros, a evolução da renda também importa para o consumo: o governo oficializou o salário-mínimo de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026 (reajuste de 6,79%), valor que serve de referência para benefícios e pode sustentar parte da demanda, sobretudo nas faixas de renda com maior propensão a consumir.
Mantido esse arranjo, com juros altos restringindo o consumo, mas exportações e gasto público amortecendo a desaceleração, o cenário sugere uma fase de ajuste, na qual o crescimento pode seguir mais gradual no curto prazo. Ainda assim, o dado do 3º trimestre de 2025 reflete principalmente o impacto do crédito caro e do aperto monetário sobre o consumo, enquanto efeitos do reajuste do salário-mínimo tendem a aparecer mais à frente.

