PIX como alternativa de crédito

Por André Miranda e Caio Prado, supervisionados por Wilson Correa e Rafael Souza

O Banco Central do Brasil pretende lançar em setembro uma nova funcionalidade dentro do ecossistema Pix: o Pix Parcelado. Atualmente, essa função está disponível apenas em algumas instituições financeiras, mas em breve será acessível ao público em geral. Com ela, o consumidor poderá realizar compras dividindo o valor em parcelas, mesmo sem ter o dinheiro disponível no momento da transação — uma funcionalidade semelhante ao cartão de crédito.

O Pix Parcelado se soma ao Pix Crédito, outra inovação recente do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. No Pix Crédito, cada instituição oferece limites e taxas de juros próprias, como acontece nos créditos pessoais tradicionais. Já no Pix Parcelado, o Banco Central pretende estabelecer uma regulamentação mais ampla e padronizada, com taxas semelhantes entre as instituições financeiras, aumentando a transparência e a previsibilidade para os consumidores.

O principal desafio será tornar essa modalidade atrativa frente ao mercado atual. A taxa média de utilização para as vendas na modalidade crédito é de 4,89%. Para que o Pix Parcelado seja competitivo, o BC precisará garantir taxas de utilização mais baixas e condições acessíveis, o que também incentivará os comerciantes a adotarem essa opção em seus estabelecimentos.

Mais do que apenas uma alternativa de crédito, o Pix Parcelado representa um avanço estratégico do Banco Central: criar um sistema de pagamentos eficiente, seguro, moderno, de baixo custo e independente do sistema financeiro internacional, como o SWIFT. Atualmente, para ter um cartão de crédito, o brasileiro depende, quase sempre, das bandeiras Visa ou Mastercard, ambas americanas e integradas ao SWIFT. Estimativas do Banco Central apontam que apenas 84 milhões de brasileiros possuíam saldo devedor no cartão de crédito em 2022, contrastando com os 173 milhões de usuários do Pix em 2025, isso representa um avanço importante para a inclusão financeira.

Segundo levantamento da Febraban, o cartão de crédito foi o segundo meio de pagamento mais utilizado no Brasil em 2024, movimentando R$ 19,8 bilhões, atrás apenas do próprio Pix, que alcançou a impressionante marca de R$ 63,8 bilhões. Esse é o tamanho do mercado que agora poderá ser explorado por empresas brasileiras, em uma disputa direta com gigantes como Visa e Mastercard.

Ainda é cedo para mensurar os impactos econômicos concretos, mas os sinais são positivos. O Pix já faz parte da rotina de 93% da população brasileira, e é reconhecido internacionalmente como um dos sistemas de pagamento mais modernos do mundo. Não por acaso, o economista e ganhador do Prêmio Nobel, Paul Krugman, afirmou que “o Brasil pode ter inventado o dinheiro do futuro”. Com o Pix Parcelado, o país avança ainda mais em direção a um sistema bancário mais moderno, competitivo, inclusivo e soberano.

 

Conjuntura e Mercados*

Conjuntura e Mercados*

A Tribuna de Minas não se responsabiliza por este conteúdo e pelas informações sobre os produtos/serviços promovidos nesta publicação.

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



Leia também