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Fala Quem Sabe: Leitura, um hábito imprescindível

Por Cesar Romero

26/01/2020 às 07h30 - Atualizada 24/01/2020 às 19h54

Fala Quem Sabe

Leitura, um hábito imprescindível

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Ler é um ato de coragem. Em tempos de televisão, internet e informações extremamente resumidas e manipuláveis, os livros resistem como uma saída, um suspiro de tranquilidade – ou talvez até lucidez. A escrita é, desde os primeiros trovadores às obras românticas e modernas, um meio de relato, de denúncia e de perpetuação do conhecimento. Claro, só há escritores porque há interlocutores, esclarecendo já no início a importância da leitura: absorver informações, imortalizar uma realidade e até mesmo mudá-la. Desde o jardim de infância nos é incentivado o culto a tal hábito, mas ninguém está falando de uma sessão de obras machadianas, e sim da mais simples compreensão linguística que, por si só, é capaz de mover montanhas. Sendo assim, o costume tão pregado no início da vida, o é por uma simples razão: sem ele, atualmente, é impossível manter-se ativo na sociedade. Isso porque a vida gira em torno de símbolos, digitais ou não, que são definidos pelo simples saber de interpretação que, logicamente, vem da leitura. Não quero dizer que é necessário compreender Saramago ou Guimarães Rosa para viver em um corpo social, ainda que seus livros sejam de extrema importância para a construção da literatura portuguesa ou do cenário regional do Brasil. Mas sim que o atingido por Carolina Maria de Jesus quanto à visibilidade dada à população periférica brasileira, por exemplo, só foi possível graças à leitura, que garantiu que sua escrita – sem regras, normas gramaticais ou rococós dignos do século XVIII -, fosse reconhecida mundialmente e usada como meio para algumas mudanças na realidade por ela denunciada. É, então, por causa do ato de ler que inúmeros debates são levantados, que histórias épicas marcam gerações e que o homem se emancipa das falácias cotidianas. Assim, o conceito de “pós verdade” flerta com o perigo da falta do hábito em questão, uma vez que aborda a desconfiança de um povo bombardeado pelas famosas ‘fake news’, e que aqueles sem o costume de buscar por mais referências literárias por desventura acabam vítimas da desinformação. Portanto, fica nítida a imprescindibilidade da leitura: é graças a esse ato de coragem que a razão é perpetuada, a realidade é mudada e histórias são eternizadas.

(Maria Antônia de Lima Barra tirou nota mil na redação do Enem, vai cursar medicina e é leitora convidada)

Cesar Romero

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