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Fala Quem Sabe: No Dia do Professor, uma aula de felicidade

Por Cesar Romero

12/10/2019 às 08h00 - Atualizada 11/10/2019 às 18h16

Fala Quem Sabe: No Dia do Professor, uma aula de felicidade

E lá se vão mais de 35 anos de magistério. Uma vida, não é? Vou contar um pouco sobre ela. Do meu jeito. Com as minhas experiências.

Um dia, em uma sala de nono ano, fiz uma pesquisa informal: quem aqui gostaria de ser professor? Um aluno – para o espanto dos demais, que soltaram um longo “heeeeeein?” – o que o fez dizer: “só por hobby, porque pretendo fazer gastronomia mesmo”. Eu fiz, nesse momento, uma intervenção: “Vocês não sabem como é bom ser professor”. Senti sobre mim um misto de olhares admirados e carinhosos. Como se me dissessem: “ainda bem que você não desistiu, professora”. Mas, vou confessar: por mais que eu quisesse, jamais me realizaria como pessoa, se não fossem esses maravilhosos meninos e meninas que enchem meu coração de juventude. São eles que me fazem acordar bem cedinho, no frio ou no calor, para encontrá-los animados sempre – eu, às vezes, ainda sonolenta – e iniciar o dia de trabalho.

O trabalho é duro, isso é verdade. São muitos jovens a pedirem atenção individual em uma sala coletiva. Nem sempre há condições favoráveis para o trabalho sair conforme o planejado, pois a profissão requer criatividade e “malabarismos” pedagógicos, uma vez que, em várias escolas, há “faltura” de tudo: papel, caneta, quadro, livro, giz, e não estou nem questionando informática, biblioteca, auditório.

Se me sinto valorizada? Quando os meus alunos fazem um “ah! Entendi!” bem felizes, sinto-me valorizada. Quando desenvolvo um trabalho bem bacana e meus coordenadores me dizem “uau!”, sinto-me valorizada. Quando o filho de um ex-aluno é meu novo aluno e ele me diz que seu pai ou sua mãe estão felizes que serei a professora, sinto-me realizada.

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Que falta então? Porque, um candidato ao Enem que está lendo meu relato, provavelmente, já se arrependeu de a opção não ter sido licenciatura. Todavia, como o mar é azul, e não cor de rosa, há o salário. Baixo. Baixíssimo. Há cidadãos que nunca foram professores, mas nos chamam de doutrinadores, porque queremos que os alunos sejam pessoas melhores que nossa geração e trabalhamos valores humanitários para que tenham senso crítico de pensar o mundo mais igualitário e justo. Há quem ache isso errado.

Por fim, acredito que poderia ter escrito outro texto. Poderia ter feito um relato da minha própria vida, mas não consigo ser tão exposta assim. Sou um furacão na sala de aula. Na vida pessoal, uma pessoa bem tímida. Peço, então, desculpa se não consegui convencê-los de que nada é mais sensacional na vida que ser feliz. Até no trabalho.

Feliz Dia dos Professores, amigos! Feliz Dia dos Professores para mim também.

(Elaine Pontes Miranda é professora de português e leitora convidada)

Cesar Romero

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