Uma cidade resiliente protege os animais

'Carta JF Resiliente' propõe construção coletiva de cidade pautada em cuidado, prevenção de vulnerabilidades e proteção de todas as formas de vida. Causa animal participa dos debates e apoia busca por soluções práticas

Por Ana Paula Cappellano

Foi lançada no início de junho a plataforma on-line “Carta JF Resiliente”. O espaço traz a principal entrega da 3ª Semana da Criatividade e Inovação de Juiz de Fora, realizada em abril pela Rede Criativa de Juiz de Fora (ReCria-JF), com apoio do Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais – Campus Juiz de Fora, e que trouxe como tema “Cidade Resiliente – Sentir a cidade e semear, juntos, futuros resilientes”. 

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(Foto: ilustrativa. Fonte: Canva/Por Anna Bogush, de Getty Images)

O evento reuniu representantes de diferentes setores e áreas do conhecimento, como pesquisadores, professores, artistas, lideranças comunitárias, empresários, empreendedores, estudantes e profissionais, do poder público, do terceiro setor e da sociedade civil, que dialogaram sobre os desafios contemporâneos na construção de um presente e futuro melhores para Juiz de Fora. Um dos eixos centrais na programação do encontro foi “Cidade que respeita todas as formas de vida”, em que as pautas relacionadas à proteção animal no município se destacaram. 

As Secretarias de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e do Bem-Estar Animal, da Prefeitura de Juiz de Fora, participaram da mesa “Cidade Resiliente: desafios e caminhos” e compartilharam relatos das suas atuações frente ao desastre das chuvas de fevereiro na cidade, como nas iniciativas de acolhimento de animais, especialmente nos abrigos emergenciais e em lares temporários. As consequências das chuvas conduziram as falas, que reconheceram na população juizforana a capacidade de se mobilizar, de viabilizar respostas rápidas para situações de calamidade e, além, de buscar soluções práticas e coletivas para uma vida mais solidária, sustentável e segura. 

Ações urgentes e possíveis para a causa animal

Grupos temáticos se organizaram em um laboratório de ideias para a criação da “Carta Juiz de Fora Resiliente”, com a proposta de produzir para a cidade um documento que inspire ações – sejam voluntárias, profissionais, comerciais, de empreendedorismo, de pesquisa ou de políticas públicas – conectadas às realidades dos territórios. A experiência está entre as inscritas na Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir – Cidades sem Risco 2026 do Cemaden Educação, programa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

No eixo “Cidade que respeita todas as formas de vida”, que contou com a participação de representantes de diversos movimentos sociais e de ONG de proteção animal, importantes questões enfrentadas, ao longo de anos, pela causa animal em Juiz de Fora foram abordadas. A elevada taxa de abandono de animais domésticos e a presença de animais silvestres em área urbana figuraram como as maiores preocupações. 

A educação ineficiente para informação e conscientização da população e dos órgãos públicos, a falta de planejamento, de investimento e financiamento, e de abertura para uma comunicação colaborativa entre projetos sociais e entre poder público e sociedade civil foram identificadas como as principais causas dos problemas.

Como caminhos para soluções possíveis, a mesa apontou o fortalecimento dos Conselhos Municipais, um programa intenso de castração de animais, que seja itinerante, permanente e gratuito, a ampliação do alcance das iniciativas educativas, levando conscientização para espaços não formais e não institucionais, a regulamentação e fiscalização das leis de proteção de todas as formas de vida e a criação de espaços de escuta, para que pessoas e organizações atuantes na linha de frente possam ser ouvidas.

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Reflexões para a "Carta JF Resiliente" abordaram a proteção animal no eixo "Cidade que respeita todas as formas de vida" (Foto: divulgação/apoio 3ª Semana da Criatividade e Inovação de Juiz de Fora)

Inteligência coletiva e proteção integrada da vida

As reflexões sobre proteção animal reverberaram na redação da carta, com a conclusão de que “uma cidade resiliente não define quais vidas merecem proteção. Ela reconhece que todas as vidas importam, que diferentes vulnerabilidades precisam ser escutadas e que o futuro coletivo só se sustenta quando o cuidado se torna um princípio comum de organização da cidade”. 

O documento pode ser acessado para leitura e contribuições na plataforma “Carta JF Resiliente” e se coloca como um objeto dinâmico, pretendendo pautar e mapear iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável e resiliente da cidade, seja no setor público, no privado ou na sociedade civil, e ainda traz orientações para seu uso como suporte em projetos de mobilização, aprendizagem coletiva e ativação territorial. 

“Esta carta surge como um instrumento vivo de orientação e mobilização coletiva. Não é um documento encerrado em si mesmo, mas uma base para inspirar práticas, fortalecer redes e orientar ações intersetoriais voltadas ao cuidado, à prevenção e ao desenvolvimento humano e territorial. Afirmamos, a partir deste processo, que: ‘Juiz de Fora Resiliente é uma proposta de cidade orientada pelo cuidado, pela inteligência coletiva e pela proteção integrada da vida’”, diz a apresentação da carta na plataforma. O site está aberto ao cadastro de ações, que poderão aparecer no “mapa colaborativo da cidade”. 

Em um contexto como o de Juiz de Fora, com tanto potencial de mobilização e tantas iniciativas locais, especialmente no âmbito da sociedade civil, certamente, a “Carta Juiz de Fora Resiliente” representa um instrumento inovador de reflexão, debate de ideias e produção de soluções práticas, criativas, colaborativas e coletivas, e uma ferramenta democrática e inspiradora para a reivindicação e para a elaboração de respostas mais eficazes também para a causa animal.

Ana Paula Cappellano

Ana Paula Cappellano

Ana é jornalista pela UFJF, mas foi em redações e agências na cidade de São Paulo que consolidou seu trabalho, desenvolvido ao longo de mais de 20 anos no campo editorial, em revistas e jornais das áreas de saúde, direitos sociais e humanos, e design de interiores. Na capital paulista, atuou como redatora, coordenadora e editora em títulos tão diversos quanto Decoração e Estilo Casa by Olga Krell e Jornal Ação (CRESS-SP). Hoje, de volta às terras mineiras, atua profissionalmente no setor de ensino livre e no mercado criativo, e é publisher da revista independente Vida, Bicho, Casa, sobre animais de estimação, estilo de vida, bem-estar, casa e variedades.

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