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A cidade precisa saber cuidar

"Toda vida importa em qualquer idade"

Por Jose Anisio Pitico

Um senhor de 82 anos morreu, domingo passado, no Dia dos Pais, após se engasgar em um restaurante de um shopping na nossa cidade.

A morte dessa pessoa idosa me trouxe algumas reflexões. Por exemplo: ela não pode ser recebida por nós com o silêncio de que “já tinha vivido bastante”. Não. Toda vida importa em qualquer idade. Uma outra reflexão é a de que, quantos de nós, saberíamos o que fazer diante de uma pessoa idosa, que estivesse se engasgando ao nosso lado, próximo à nossa mesa de almoço?

Um outro exercício de imaginação que eu faço, somente pela leitura dessa notícia na mídia local e sem registrar nenhum julgamento de valor no que aconteceu: esse senhor estava sozinho? tinha alguma companhia? Levanto essas questões para afirmar que, no envelhecimento, redes de convivência e solidariedade fazem toda diferença na vida cotidiana de todos nós.

Reconheço, e é fácil de a gente compreender, que um engasgo pode acontecer com qualquer um de nós, independente da idade. Na velhice é diferente: dificuldades de mastigação e de deglutição podem aumentar o risco de complicações maiores, levando à óbito, como foi o caso dessa ocorrência.

Precisamos falar sobre disfagia. Precisamos capacitar mais pessoas sobre como abordar as pessoas idosas. O que aconteceu com esse senhor traz um alerta: nossa cidade está preparada para cuidar de quem envelhece?

Envelhecer não deve ser entendido como uma etapa da vida que temos que deixar de viver a nossa cidade. Uma pessoa idosa tem o direito de frequentar shoppings, praças, cinemas, clubes. Quanto mais as pessoas idosas vão usufruindo do direito de estarem na cidade, viverem a cidade e desfrutarem da cidade, mais precisamos pensar em restaurantes, transportes, lazer, comércio e cultura preparados para receberem as diferentes condições do envelhecimento.

Essa é uma tragédia que não pode terminar na notícia. Ela precisa nos fazer pensar sobre a cidade que estamos construindo para todos nós que estamos envelhecendo. A questão de fundo que passa na minha cabeça, não é apenas saber o que aconteceu com esse senhor no restaurante. Poderia ter acontecido em outro ambiente coletivo, qualquer. O que fica é o seguinte: os espaços de convivência, de um modo geral, estão preparados suficientemente para agirem diante de emergências envolvendo pessoas idosas?

Jose Anisio Pitico

Jose Anisio Pitico

Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar e mantém o canal Longevidades no Youtube (@Longevidades). Contato: (32) 98828-6941

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