Ouça agora

Fogo destrói área de mata na Remonta


Por NATHÁLIA CARVALHO E SANDRA ZANELLA

16/10/2015 às 07h00- Atualizada 16/10/2015 às 09h21

Fogo começou por volta das 7h em área de difícil acesso, mas cinzas se espalharam por toda a cidade (Fernando Priamo/15-10-15)

Fogo começou por volta das 7h em área de difícil acesso, mas cinzas se espalharam por toda a cidade (Fernando Priamo/15-10-15)

Cerca de 150 homens do Corpo de Bombeiros e militares de todos os quartéis do Exército trabalharam no combate às chamas (Fernando Priamo/15-10-15)

Cerca de 150 homens do Corpo de Bombeiros e militares de todos os quartéis do Exército trabalharam no combate às chamas (Fernando Priamo/15-10-15)

Ao menos 40% de uma área de 14 quilômetros quadrados, localizada próxima ao campo de instrução do Exército, na Remonta, Zona Norte, foram destruídos ontem em um incêndio de grandes proporções. A área destruída equivale a 560 campos de futebol, o que transforma esta em uma das maiores queimadas dos últimos anos no município. Com o tempo seco e quente, o vento espalhou rapidamente a fumaça, e as cinzas foram vistas por toda a cidade. Ao todo, 150 homens do Corpo de Bombeiros e militares de todos os quartéis precisaram ser divididos em equipes para realizar o trabalho de combate, que teve início às 7h. De acordo com o assessor de comunicação do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, tenente Acácio Tristão, foram utilizados abafadores e bombas costais para debelar o fogo, que se alastrou por uma vegetação rasteira e seca. Até o fechamento desta edição, as chamas ainda não haviam sido controladas e, conforme o subdiretor do campo de instrução, major Natan Lira, a preocupação era de que o fogo atingisse uma área residencial no entorno.

Conforme o major, durante a noite de ontem, o efetivo foi reduzido, e a intenção era de que os bombeiros prosseguissem no combate durante a madrugada. “Vamos passar a noite monitorando para que o fogo não chegue até a Mata do Krambeck, atacando, assim, áreas mais importantes. Amanhã (hoje) provavelmente teremos apoio aéreo para observação do ocorrido”, explicou major Natan. “Estão falando que o incêndio está na Mata do Krambeck, mas as chamas não chegaram à mata, estão em uma área de pastagem próxima”, esclareceu o tenente Acácio. Segundo ele, a confusão acontece porque, dependendo do ângulo que se vê a fumaça, dá a impressão de o fogo estar na área de preservação.

Ainda segundo o tenente, o incêndio na Remonta contribuiu para a formação de uma nuvem de fumaça que pairou sobre a cidade durante todo o dia e podia ser observada de várias regiões da cidade. A incidência de queimadas desde o fim de semana, aliada à massa de ar quente que age na região, também é responsável por essa situação. Somente entre as noites de terça e quarta-feira, pelo menos 30 focos de incêndio foram registrados pelos bombeiros no município. Já o Portal do Monitoramento de Queimadas e Incêndios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicou a existência de 15 focos de incêndio no município ontem.

Causas

O major Natan Lira afirmou que ainda não sabe a causa do incêndio. “Acreditamos que as altas temperaturas, a baixa umidade e o vento potencializaram o efeito do fogo”, afirmou. Ainda segundo o major, a área atingida é oposta ao ponto onde ocorre o treinamento do Exército.

Cinzas são prejudiciais à saúde

A umidade relativa do ar atingiu o patamar de 22% ontem, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O índice é considerado estado de atenção, conforme os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, por isso, exigem cuidados especiais. O dia também foi de calor, e os termômetros atingiram a máxima dos 33,2 graus.

Segundo a professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFJF e especialista em poluição ambiental, Aline Procópio, as cinzas que se espalharam por toda a cidade em paralelo à baixa umidade do ar são fatores prejudiciais à saúde. E a especialista faz um alerta: “Ainda não temos condições de quantificar a poluição da cidade, mas qualitativamente, tendo em vista a baixa visibilidade e o cheiro, sabemos que é ruim. É importante que a sociedade evite aquelas queimadas de fundo de quintal, atividade proibida, principalmente em época de seca. Isto contribui para agravar a situação. A umidade está muito baixa e, juntamente com a queimada, resseca a mucosa do nariz, exatamente aquela que nos ajuda a reter as partículas da fuligem para as vias aéreas inferiores”, explica. Ela cita ações que podem amenizar o problema. “Precisamos ter o cuidado redobrado, umidificando o ambiente, evitando realizar atividades físicas durante o dia e colocando toalha molhada ao lado da cama durante a noite, principalmente para crianças e idosos”, orienta.

A analista ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Sara Stutz, lembra ainda da perda da biodiversidade e consequente prejuízo para a fauna local, em situações de constantes incêndios. “Muitos animais não conseguem se afugentar, e há sempre perda de répteis, aves e alguns mamíferos. Ano passado tivemos muitas queimadas nas serras próximas, em Petrópolis (RJ), e foram encontrados diversos animais feridos. Além disso, há a preocupação com a vegetação, já que existem espécies que não conseguem se recuperar”, alerta.

Previsão

Segundo o meteorologista do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Cleber Souza, o predomínio de uma massa de ar seco em grande parte do Brasil impede a aproximação de frentes frias sob o continente. “Uma frente fria que passa pelo oceano pode influenciar no aumento da nebulosidade no fim de semana e aliviar a temperatura na cidade. Há uma pequena possibilidade de chuvisco, inclusive”, explica. Contudo, chances significativas de precipitações em Juiz de Fora só estão previstas para o fim do mês. Hoje as temperaturas devem variar entre 18 e 33 graus, e o dia deve ser de céu claro e névoa seca.

* colaborou Michele Meireles