Por Ivan Bilheiro, professor de filosofia do Sesi

15/10/2015 às 07h00- Atualizada 15/10/2015 às 08h45

Existem, em especial, duas formas de entender o termo “curioso”: a primeira é no sentido de algo interessante, digno de admiração. Por outro lado, a palavra pode designar o indivíduo que foi cativado pelo sentimento de “querer saber”, a inquiribilidade. Temos, então: de uma parte, aquilo que desperta a “vontade de saber” e, de outra, aquele que é despertado. O objeto curioso é aquilo que instiga o pensamento, a reflexão. Aliás, o filósofo Aristóteles já havia observado que os homens foram e são levados a filosofar por efeito da admiração pelo que é curioso. Pode-se dizer, enfim, que o mundo todo é, de alguma forma, algo curioso à espera de nossa curiosidade.

A relação entre o sujeito e o objeto da curiosidade se dá através do processo de conhecimento, e um de seus catalisadores é a educação. Com seu trabalho, os professores têm a oportunidade de estimular a curiosidade dos alunos. O papel do educador, se bem realizado, não se concentra somente na transmissão de conteúdos – na verdade, o verdadeiro educador forma mentes autônomas, desejosas de conhecer o mundo. A educação benfeita promove o encontro de “pessoas curiosas” com um “mundo curioso”.

Mas é preciso perceber o quanto a tarefa de despertar mentes interessadas tem se tornado difícil. Há diversos estímulos para que os jovens, por exemplo, rendam-se às rotinas apáticas e não desejem conhecer o novo. Vale lembrar que quem não tem “desejo de saber” acaba aceitando o já estabelecido, o comum; recebe informações acriticamente e se rende a afirmações infundadas; acata a ordem estabelecida, vivendo uma vida determinada por outros, e não pela própria liberdade. E há, também, inúmeros e largamente conhecidos desestímulos aos educadores na construção do “desejo de saber” – se não há apoio, não há formação.

Reprimir a curiosidade, seja através de ações diretas, negando o direito de “querer (e poder) saber”, destacadamente nos jovens; seja indiretamente, desvalorizando a educação que tanto contribui para o encontro dos curiosos, é atentar contra vivências frutíferas, ricas, que não se percam no marasmo cinza do “sempre o mesmo”.

No Dia do Professor, data em que as atenções se voltam para o importante processo educacional, surge a oportunidade para pensar: como anda o estímulo à curiosidade em nossa sociedade? A pátria tem sido educadora? Os professores, valorizados? Curioso pensar sobre isso!