PMs esperam 12 horas na delegacia
Policiais militares ficaram quase 12 horas na delegacia de Polícia Civil para entregar uma ocorrência de roubo envolvendo uma família rendida no condomínio Bosque Imperial, na Cidade Alta. No episódio criminoso, registrado no final da noite de terça-feira, um adolescente, 15 anos, suspeito do crime, foi apreendido. A situação da demora no atendimento na delegacia não é novidade. Em fevereiro deste ano, a Tribuna publicou reportagem que retratava o problema em Santa Terezinha. Com a criminalidade em alta, o número de casos atendidos pela PM é crescente, e o longo período em que os militares permanecem na delegacia resulta em menos policiais e viaturas nas ruas.
No episódio de ontem, de acordo com informações do registro da PM, às 23h40, três suspeitos pularam o muro e entraram no terreno de uma casa no condomínio que fica na Estrada Engenheiro Gentil Forn. Em seguida, eles teriam ido até o porão do imóvel e roubado diversos objetos, entre eles, uma machadinha. Com o objeto em mãos, os bandidos quebraram uma porta de vidro no segundo andar da residência.
Dentro da casa, o trio rendeu a família de quatro pessoas. Conforme uma das vítimas, um homem de 57 anos, os suspeitos disseram que estavam armados e fizeram ameaças de morte. Eles roubaram dois celulares e um tablet e fugiram. Assim que o trio deixou o imóvel, o morador fez contato com o serviço de vigilância do condomínio, que conseguiu deter o adolescente até a chegada da PM. Os outros dois envolvidos conseguiram fugir.
Na mochila do suspeito, os militares recuperaram três molinetes de pesca e algumas ferramentas que haviam sido levadas da casa. Ele foi apreendido em flagrante e encaminhado para a delegacia. De acordo com o assessor de comunicação do 27º Batalhão, tenente Luiz Orione Delage Pereira, a equipe de policiais da 99ª Companhia de Polícia Militar, responsável pelo policiamento na Cidade Alta, chegou na unidade de Santa Terezinha meia-noite. O registro da ocorrência foi encerrado pelos militares 25 minutos depois. Em seguida, dois PMs, o adolescente apreendido e a vítima do roubo permaneceram à espera do delegado de plantão para serem ouvidos. No entanto, conforme o tenente, a oitiva teve início às 11h35 de ontem e a viatura só saiu da unidade policial por volta de meio-dia. “Os policiais ficaram 12 horas parados na delegacia, apenas esperando para dar início ao procedimento. Isso causa prejuízos. É uma viatura a menos na rua realizando policiamento, o que pode impactar na segurança da população”, comentou.
Por nota, a assessoria da Polícia Civil afirmou que a ocorrência foi entregue às 4h35 e que o delegado de plantão estava com vários casos em andamento, entre eles, um flagrante com quatro pessoas presas por tráfico de drogas. “Portanto, em virtude da complexidade e tempo necessário para a conclusão dos autos recebidos anteriormente, o procedimento envolvendo o adolescente foi instaurado pela equipe do plantão seguinte”, informou.
O tenente Luiz Orione esclareceu que às 4h35 houve apenas uma modificação no registro por conta de um erro de digitação no número do boletim de ocorrência. Ele reiterou que às 0h25 o documento policial estava pronto para ser recebido pela Polícia Civil. Conforme o coordenador do Comissariado da Vara da Infância e Juventude de Juiz de Fora, Maurício Gonçalves Alvim Filho, o adolescente apreendido foi levado para a Vara da Infância e da Juventude às 17h30, e só será ouvido pelo promotor hoje.







