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PJF estima em R$ 1,3 mi corte com comissionado


Por RENATO SALLES

10/10/2015 às 07h00- Atualizada 13/10/2015 às 10h33

Jucá diz que houve redimensionamento de pessoal para não prejudicar serviços (MARCELO RIBEIRO)

Jucá diz que houve redimensionamento de pessoal para não prejudicar serviços (MARCELO RIBEIRO)

Quatro meses após o prefeito Bruno Siqueira (PMDB) anunciar, em entrevista coletiva realizada no dia 9 de junho, cortes de gastos com cargos comissionados, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) estima que as medidas adotadas com relação ao tema significarão economia de até R$ 1,3 milhão aos cofres municipais. A redução nas despesas, entretanto, não resultou da diminuição do número de postos de provimentos em comissão. Entre os dias 10 de abril e 9 de outubro, foram 40 nomeações de comissionados contra 36 exonerações na Administração direta, conforme consta em pesquisa realizada no Atos do Governo.

Segundo o Executivo, o racionamento nas despesas foi possível a partir da opção de “conceder” reajuste zero aos cargos de provimento em comissão em 2015 – o que teria assegurado, em 12 meses, economia de R$ 735 mil, caso uma correção com base em perdas salariais fossem aplicada. “Essa foi uma decisão particular minha”, pontua o prefeito. Outro item que contribuiu para a economia foram cortes de gastos do Município em despesas como diárias e viagens do primeiro escalão do Governo. A medida começou a ser colocada em prática em julho do ano passado, contingência que significou uma economia de R$ 560 mil em um ano.

Sobre a manutenção do número de cargos em comissão de junho para cá, quando foi anunciado o corte de gastos com esta categoria de servidor público, o prefeito reforça que a opção inicial foi pelo corte de 200 profissionais terceirizados, a partir de contingenciamento iniciado em fevereiro. No papel, a PJF estima que a redução de profissionais vinculados ao Executivo a partir de contrato com empresas prestadoras de serviços resultou em uma economia de R$ 500 mil mensais. “Houve um grande esforço de redimensionamento deste pessoal sem que houvesse prejuízos na prestação dos serviços”, considera a secretária de Planejamento e Gestão, Elizabeth Jucá.

Queda de arrecadação

Os cortes de gastos foram motivados pela crise econômica vivenciada pelo país, que afeta diretamente o cotidiano dos municípios, com a redução da arrecadação e de transferências por parte de estados e da União. Só entre julho do ano passado e agosto desse ano, a PJF estima que deixou de receber cerca de R$ 60 milhões em repasses referentes ao ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). De acordo com o Executivo, os impactos do atual cenário financeiro seriam maiores caso a Administração não tivesse aderido ao projeto “Juntos pelo desenvolvimento sustentável”, realizado pela organização social Comunitas. A ação resultou em uma parceria com a Falconi Consultores de Resultado, que auxiliou o Executivo a elaborar um cronograma para racionalização das despesas, que vem sendo aplicado desde o ano passado. ‘Foi uma parceria importante, que,por meio do projeto do Comunitas, foi contratada pela iniciativa privada, sem gastos para o Município”, explicou Bruno.

Consultoria põe meta acima de R$ 30 milhões

De acordo com o cronograma traçado pela PJF e pela Falconi, foram estipulados um valor de R$ R$ 33,8 milhões a ser alcançado pelo Município – em acréscimo de receitas ou redução de despesas – entre julho de 2014 e setembro deste ano. A Administração garante ter cumprido a meta com certa folga, alcançando a marca de R$ 37,8 milhões até junho deste ano, sendo R$ 25,2 milhões por conta de adições nas estimativas de receitas e R$ 12,6 milhões em cortes de gastos.

Para chegar a tais valores, a PJF afirma que implantou ações para incrementar a arrecadação municipal em ações que ampliaram a previsão de arrecadação do IPTU em R$ 8,9 milhões; do ISS, em R$ 12,9 milhões; e do ITBI em R$ 2,1 milhões, além de R$ 1,3 milhão, fruto de pagamentos de contribuintes que integravam a dívida ativa do município, após a edição de uma lei de anistia, que incentivou os credores a regularizarem suas situações.

“Criamos um programa de gestão inteligente e implantamos várias ações. Entre aquelas adotadas para incremento das receitas, podemos citar a adoção de nova planta genérica de valores no cálculo do ITBI; de uma nova rotina de acompanhamento dos setores mais representativos para o ISSQN; e a nova lei de anistia, por exemplo. Por outro lado, para reduzir despesas, fizemos várias adequações, como uma nova política para o consumo de água, energia elétrica e combustíveis em geral”, explica o prefeito.

Entre as ações definidas em conjunto com a Falconi para redução de despesas está o contingenciamento de todo gasto superior a R$ 10 mil, que só poderá ser efetivado mediante a aprovação de um conselho gestor, que fiscaliza o cronograma estabelecido em parceira com a consultoria.