Presos fazem meias para o Exército

Presos que trabalham têm direito à remição de pena (Osvaldo Afonso/Imprensa Mg)
Militares do Exército Brasileiro estão usando meias produzidas dentro das três unidades prisionais de Juiz de Fora. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), atualmente, 80 detentos estão confeccionando meias, roupas e cuecas nas oficinas do Ceresp e das penitenciárias Ariosvaldo Campos Pires e José Edson Cavalieri. Além das meias, o resultado dos presos nas máquinas de costura está sendo vendido em grandes lojas de departamento do país.
Conforme a pasta, os prisioneiros têm direito a três quartos do salário mínimo e remição de pena, ou seja, para cada três dias trabalhados, um a menos de pena. Por meio da assessoria da Seds, o diretor-geral do Ceresp, Alexandre da Cunha Silva, ressaltou que a iniciativa abre novos horizontes aos detentos. “A capacitação profissional é uma janela que se abre para os presos. Consideramos importante prepará-los para quando deixarem o sistema prisional”, disse Cunha.
Potencial reconhecido
Manoel Jorge Lisboa, de 46 anos, é um dos empresários que acreditaram no potencial de produção dos presos. Fornecedor de grandes indústrias de confecção, através da Cooperativa Ebenézer, ele transferiu todas as máquinas de costura para galpões instalados dentro das unidades prisionais, um investimento de R$ 160 mil. Mensalmente são produzidas 19 mil meias e 91 mil cuecas.
Otimista com o trabalho realizado pelos detentos, Manoel acaba de conseguir o reconhecimento oficial de organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) para o Grupo Cultural Fênix JF, fundado por ele com o objetivo de atuar na ressocialização de detentos e familiares.
O grupo está cadastrando parentes de presos para cursos de profissionalização e atividades pedagógicas e esportivas. Os filhos podem se inscrever em aulas de inclusão digital, desenho ou futebol, e as mães em cursos de doces, salgados ou customização de roupas.








