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Greves impactam serviços em cinco áreas


Por EDUARDO MAIA

13/09/2015 às 07h00

Em negociação por reajustes salariais e contra cortes do ajuste fiscal, movimentos grevistas do serviço público federal já impactam os setores educacional, trabalhista e previdenciário, fiscal, judiciário e de saúde em Juiz de Fora. Com a possibilidade de paralisação dos Correios nesta terça-feira, o setor de comunicações também será comprometido. Em alguns casos, como o dos técnicos-administrativos e professores universitários – no plano nacional -, o número de dias parados já supera cem dias. Próximo disso estão os servidores do Judiciário Federal, que completam 95 dias de braços cruzados neste domingo. Impacto de grandes proporções também é causado pela paralisação dos servidores do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que contabilizam 68 dias sem oferecer atendimento administrativo e nove sem a perícia médica (ver quadro).

A situação se complica pela forma como se arrastam as negociações com o Executivo, que se mantém irredutível às propostas apresentadas. Nesta semana, o relator da proposta de Orçamento de 2016, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), cogitou a possibilidade de estudar o congelamento dos salários dos servidores da União, como forma de reduzir as despesas e solucionar o déficit de 30,5 bilhões apresentado pelo Governo.

Em junho, o Governo chegou a apresentar uma proposta com índice de recomposição salarial (que recupera perdas inflacionárias de anos anteriores) de 21,3% em quatro parcelas entre 2016 a 2018. A oferta, bem abaixo dos 27,3% pedidos pelos trabalhadores, foi rejeitada em massa. No início deste mês, o governo propôs 10,8% em dois anos, sendo 5,5% em 2016 e 5% em 2017, reajustando benefícios. O índice enfrenta novas resistências, sendo rejeitado nas assembleias setoriais.

Dentre as dificuldade para negociar, algumas categorias, como a do Judiciário e dos auditores fiscais, chegaram a afirmar que não houve sequer a intenção do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog) em se reunir. A pasta nega. Segundo balanço da Secretaria de Relações de Trabalho do Mpog, foram realizadas 131 reuniões com entidades sindicais entre 20 de março e 18 de agosto e que, a partir desta data, as reuniões “foram realizadas praticamente todos os dias”. Caso particular é do servidores do Judiciário Federal. Segundo a pasta, não é competência legal do Planejamento apresentar proposta aos servidores do Judiciário, pois os poderes são independentes, restando apenas a apresentação de alternativas à proposta de reajuste encaminhada pelo ministro Ricardo Lewandowski ao Congresso.

Atendimento dificultado para trabalhadores e estudantes

Em todas as instâncias, as dificuldades de se conseguir atendimento ou acesso aos serviços essenciais são nítidas. Uma servidora pública de 48 anos, que não quis se identificar, relatou as dificuldades para conseguir um afastamento pelo INSS devido a uma cirurgia no início de agosto. Ao tentar o afastamento após o período de 15 dias de atestado, foi informada de que, devido à greve, o agendamento da perícia médica somente seria realizado no dia 21 de setembro. Dessa forma, se viu obrigada a compensar o repouso com o período de férias, negociando com a chefia até a volta. Diante da necessidade de mais tempo para a sua recuperação, ela teme não conseguir mais um período, caso seja recomendado pelo médico.

Na Universidade, além das aulas interrompidas na graduação, a situação também se complica para os alunos da pós. “A faculdade está deserta e só tem um xerox para atender a vários prédios. Nos banheiros não tem papel higiênico. O acesso aos corredores está com cadeados e precisamos dar voltas para chegar a algum ponto. Isso prejudica muito a questão de serviços administrativos. Preciso resolver um problema que tive com minha senha no Siga e não tem jeito enquanto a greve durar”, lamenta o aluno do Mestrado em Comunicação, Alexandre Costa.

Estudantes que permanecem na cidade à espera do início do semestre também relatam dificuldades. Embora analise a greve como necessária diante da desvalorização por parte do Governo, o estudante de Odontologia, Douglas Dias, 26, afirma se manter com a ajuda da família. “Estou esperando sair a bolsa do apoio e procurando emprego para tentar amenizar para os meus pais, mas está difícil. Quando veem que é estudante tentando algo durante a greve, logo descartam”, desabafa.