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Da malhação à competição


Por GUSTAVO PENNA Repórter

30/08/2015 às 07h00

Cleber Reis: 56cm de bíceps

Cleber Reis: 56cm de bíceps

Gabriel: iniciando nas competições

Gabriel: iniciando nas competições

Letícia: um ano de treinamento

Letícia: um ano de treinamento

Luciana: título brasileiro no currículo

Luciana: título brasileiro no currículo

Esse ano tem sido positivo para os fisiculturistas de Juiz de Fora. O que comprova são os resultados conquistados no Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo e Fitness. Dois atletas da cidade ficaram com os títulos de suas categorias. Cleber Reis, na categoria sênior acima de 100kg, e Luciana Fernandes, na wellness fitness até 1,58m, são alguns dos representantes de um movimento esportivo que tem como embrião a popularização das academias de ginástica.

“Comecei a fazer a musculação sem nenhuma pretensão de participar de competições, por ser fã do Schwarzenegger (Arnold, ator e fisiculturista austríaco). Continuo por gostar muito do esporte. O mercado fitness aumentou bastante”, afirma Cleber Reis, que aos 45 anos é tricampeão brasileiro de fisiculturismo e vice mundial, em 2005, entre outras marcas de destaque. Entre os dias 9 e 12 de setembro, ele estará em Lima, no Peru, para a disputa do Sul-Americano.

Comparados aos 25 anos de treinamento de Cleber Reis, os cinco de competições de Luciana Fernandes parecem pouco. Mas a agente penitenciária de 30 anos aprendeu rápido os atalhos para ter sucesso no fisiculturismo. Com treinamento rigoroso e alimentação regrada desde outubro, a atleta conquistou o título brasileiro no início do mês. “Malhava desde os 19 anos, mas ainda não tinha compromisso com o treino. Ia quando queria. Era a estética que me motivava”, relata Luciana, que acredita que o clima de competição faz parte do ambiente das academias. “Ninguém fala, mas na verdade todo mundo quer um físico legal. Se a pessoa do seu lado estiver evoluindo, você vai querer também. No meu caso, como atleta, é a minha própria evolução que importa, eu quero me superar.”

Resultados rápidos também foram conquistados por Letícia Mota. Aos 23 anos, a atleta precisou de apenas um ano no esporte para conquistar o terceiro lugar na categoria bikini fitness acima de 1,72m no Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, a fisiculturista enfrenta alguma resistência. “Até dentro da própria família há preconceito. Na perda de gordura, a família passa a ter preconceito por não saber se é saudável. É um desafio principalmente para as mulheres.”

Riscos

Mas o que leva um simples praticante de musculação para o rígido comprometimento exigido pelas competições de fisiculturismo? “O desempenho é o grande propulsor de qualquer pessoa no esporte”, analisa Renato Miranda, professor da Faculdade de Educação Física da UFJF e especialista em psicologia do esporte. “À medida que a pessoa vai tendo resultados positivos, vai mergulhando na atividade cada vez mais. Como o desempenho é estético, fatores de reconhecimento, satisfação pessoal e alegria no esporte também acompanham essas pessoas.”

O especialista alerta para os riscos que o fisiculturismo pode trazer aos atletas. “Como em qualquer outro esporte, quando as pessoas têm ansiedade para conseguir resultados rápidos, podem exacerbar não só em treinamentos, mas utilizando recursos ilegais, como drogas. Com um treinamento bem orientado, sem o uso de anabolizantes, acho perfeitamente saudável. O problema é quando há excesso e a pessoa começa a sofrer transtornos, até mesmo de imagem do próprio corpo, estando sempre insatisfeita. O grande desafio são os valores que quem orienta a ginástica está transmitindo, e como as pessoas estão buscando seus objetivos”, adverte Miranda.

Aos 25 anos, o professor de educação física Gabriel Arbache participou de seu primeiro evento de fisiculturismo em junho, na categoria man’s phisique do Body Contest Brasil, realizado em Juiz de Fora. Antes, fez questão de doar sangue para provar que não usa substâncias proibidas, apesar de o evento não exigir. “A motivação (de entrar na competição) foi pelos meus alunos, que admiraram muito, tanto o objetivo de ajudar com a doação de sangue, quanto para mostrar que estava apto. Acredito que dá para chegar a uma classificação muito boa só utilizando suplementos, estratégias alimentares e o treinamento adequado. Tem como ser campeão sem usar nada ilegal”, acredita Gabriel.