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Pacientes reclamam de atendimento


Por Tribuna

20/08/2015 às 07h00- Atualizada 20/08/2015 às 10h10

O Hospital de Pronto Socorro (HPS) voltou a ser alvo de reclamações por parte dos usuários. A irmã de um paciente, que preferiu ter o nome preservado, afirma que o rapaz de 28 anos foi atropelado há alguns dias, sendo encaminhado para a instituição. Na unidade, foi constatado que ele havia quebrado duas costelas e a clavícula e precisava realizar uma cirurgia. Segundo a irmã, o jovem ficou no hospital aguardando transferência para a Santa Casa ou Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus para realizar o procedimento cirúrgico. No entanto, no final da tarde da última terça-feira, o rapaz foi liberado sem passar por nenhuma operação. “A pessoa fica internada por quase dez dias, com o nome na Central de Vagas para tentar transferência, e depois dizem que não é preciso cirurgia?”

Situação semelhante aconteceu com o afilhado da contadora Silvana da Silva. O rapaz de 19 anos caiu de moto no final de julho, sendo encaminhado para o HPS. Ele quebrou o ombro direito e ficou internado cerca de uma semana aguardando transferência para cirurgia. No entanto, ele teve alta sem passar por intervenção cirúrgica. Segundo a contadora, já faz 15 dias que ele está em casa e não melhorou. “Acho um absurdo esse garoto que trabalha de carteira assinada, com a obrigação de desconto em seu contracheque para contribuição da Previdência Social, não ter um atendimento adequado, que é um direito constitucional que ele tem.”

A assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde informou que irá averiguar a situação de cada um dos pacientes e acrescentou que uma força-tarefa iniciou neste mês uma nova estratégia de trabalho para garantir a melhoria efetiva da assistência prestada pelo HPS. “Nesta quarta-feira, o secretário de Saúde, Adilson Stolet, esteve na unidade para verificar o atendimento, as instalações do Centro Cirúrgico e as condições atuais de abastecimento de insumos e medicamentos na instituição. Stolet conversou com os profissionais. Entre os assuntos abordados, os procedimentos realizados pelo Serviço de Neurocirurgia receberam destaque, uma vez que a instituição atende, com frequência, pacientes vítimas de traumas e que necessitam de intervenções cirúrgicas da especialidade em questão.”

Outras reclamações

Além das denúncias de cirurgias não realizadas, pacientes do HPS reclamam da falta de materiais, como copos descartáveis, luvas, papel, sabonete, lençóis e cobertores. No início do mês, um leitor, que preferiu ter o nome preservado, entrou em contato com a Tribuna, alegando que não haveria copos descartáveis disponíveis. “Pegamos seringas grandes e retiramos a parte de dentro (êmbolo) para servir de copos a pacientes acamados, que não tinham condições de se levantar para ir a um bebedouro para tomar medicações orais.” Diante de reclamações que também teriam sido feitas pela população a respeito do HPS na Câmara Itinerante realizada pela Câmara Municipal, em Benfica, na última segunda-feira, o vereador José Emanuel (PSC) esteve na unidade, acompanhado do deputado estadual Noraldino Junior (PSC). No local, constataram a falta de alguns materiais, como copos, lençóis e luvas.

A Secretaria de Saúde, porém, disse que o HPS tem em estoque 375 pacotes de copos descartáveis de 200 ml, totalizando 37.500 copos. No entanto, teria havido uma falha na distribuição, conforme a Assessoria de Comunicação da PJF. Quanto às reclamações de falta de cobertores, a pasta informou ontem que há 570 novos na unidade, tendo inclusive recebido, recentemente, 50 cobertas e cem conjuntos de roupas de cama e vestuário doados pela Casa do Caminho. Já as luvas estão com processo de compra em andamento.

A Secretaria de Saúde informou ainda que a ceia não foi suspensa, conforme denúncias que haviam sido feitas por leitores. O que ocorreu foram cortes em refeições de servidores. “Ao longo do dia, são fornecidas cinco refeições aos pacientes: café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e colação. Com relação a alimentação dos funcionários, foram cortados a sobremesa e o café da tarde. Este corte vai trazer uma economia aos cofres públicos de R$ 450 mil por ano.”