Professor não quer reposição em janeiro
Cerca de 200 professores da rede municipal se reuniram em assembleia ontem, no Ritz Hotel, para discutir o calendário de reposição das aulas referente ao período de greve, que durou 82 dias. A categoria definiu que nenhuma escola irá enviar o cronograma separadamente à Prefeitura. De acordo com o Sindicato dos Professores (Sinpro), um projeto de reposição com previsão de recesso de 20 dias em janeiro já havia sido aprovado pelos trabalhadores, mas a Secretaria de Educação quer que as aulas aconteçam de forma ininterrupta até 13 de fevereiro. Uma reunião entre os representantes do sindicato e o titular da pasta, Weverton Villas Boas, deve ocorrer na próxima segunda, 17 de agosto.
A presidente do Sinpro, Aparecida Oliveira Pinto, explica que, mesmo sem o cronograma definido, as reposições já foram iniciadas em 31 de julho, mas que não é possível trabalhar de forma contínua até fevereiro. “Podemos negociar o total de dias de recesso, mas não podemos aceitar trabalhar direto, é uma questão de saúde. Há muitos professores que atuam em mais de uma rede de ensino.” Ela afirma que se não houver acordo com a secretaria, outra assembleia será realizada com paralisação das atividades.
À Tribuna, Weverton ressaltou que, enquanto “órgão gestor”, a pasta é responsável por definir os parâmetros da reposição. “Não acredito que haverá qualquer tipo de boicote, pois seria um boicote ao direito do aluno. O cumprimento dos 200 dias letivos e das 800 horas anuais está previsto em lei.” Sobre a proposta de trabalho ininterrupto, ele informou que foi estabelecida para que os estudantes que desejam migrar para outra rede de ensino não sejam prejudicados. “As aulas nas outras redes começam em 1° de fevereiro, por isso, o ideal seria que as reposições ocorressem até 30 de janeiro. Estamos mantendo contato com o Governo estadual para que os nossos alunos possam ser recebidos com um pouco de atraso. Estamos preocupados, ainda, com aqueles que pretendem ir para a rede federal.” Segundo ele, a ausência de acordo pode implicar em intervenção do judiciário.
Corte de ponto
Os professores definiram que fica livre a escolha sobre o recebimento ou não do pagamento referente aos quatro dias que foram descontados. Quem optar por receber o valor deverá repor as aulas, quem preferir poderá não fazê-lo. Para o secretário, a decisão é “mais uma demonstração equivocada de prejuízo imposto ao aluno”. “Tenho esperança que isto não ocorra.”









