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A prova dos Quatro


Por JÚLIO BLACK

06/08/2015 às 07h00- Atualizada 06/08/2015 às 08h40

Superequipe da Marvel ganha seus poderes ao viajar para outra dimensão

Superequipe da Marvel ganha seus poderes ao viajar para outra dimensão

“Quarteto Fantástico”, produção da Fox que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, tem tudo para ser o tipo de filme para quem costuma ir ao cinema com o único propósito de se divertir, assistindo aleatoriamente ao filme mais badalado em cartaz (e que jamais teve uma revista em quadrinhos em mãos). Para essa turma, deve ser peculiar observar as reações de ódio que muitos fanboys têm quando começam a pipocar notícias sobre filmes de super-heróis e as posteriores opiniões na saída da sala escura.

No caso da Fox, o estúdio mais odiado pelos fãs da Nona Arte, não há uma produção sequer que não seja acompanhada por declarações de desprezo, torcida para que os filmes fracassem (!) e que os heróis voltem para os “braços salvadores” da Marvel, mesmo quando a produção contraria as más expectativas. “X-Men: Primeira Classe”, por exemplo, era tachado de “Barrados no baile mutante” e hoje é o melhor longa da trupe comandada por Charles Xavier. Ao mesmo tempo, a “raposa do século XX” entregou ao público decepções como “Demolidor”, “X-Men origens: Wolverine”, “Elektra” (o pior de todos) e os dois “Quarteto Fantástico”. Se Demolidor e Elektra tiveram os direitos cinematográficos devolvidos para a Marvel, o mesmo não vale para o Universo Mutante e o Quarteto, que tem sua chance de redenção com os fãs a partir desta quinta-feira (nos Estados Unidos, o lançamento será na sexta).

A tarefa, todavia, não vai ser fácil. Tinhosos que são, os fãs mais radicais de quadrinhos já começaram a espernear com o anúncio de Josh Trank (“Poder sem limites”) para a direção no lugar do fraco Tim Story. Com a revelação de que a trama – um reboot – iria rejuvenescer os personagens, a grita foi a mesma de “X-Men: Primeira Classe” (“vai ser um filme juvenil” etc.) e piorou ainda mais por mexer com o cânone dos quadrinhos: no longa, Sue Storm (Kate Mara) será irmã adotiva de Johnny que, ao contrário dos quadrinhos (onde é loiro como a “sister”), será interpretado pelo negro Michael B. Jordan. Nem os trailers com um visual mais sombrio, que dão a ideia de que “Quarteto Fantástico” será menos abobalhado que os anteriores, parecem ter arrefecido a fúria fanboy.

Uma origem diferente

Para exorcizar os demônios dos filmes de 2005 e 2007, Trank e os roteiristas Simon Kinberg e Jeremy Slater preferiram que o novo Quarteto tivesse como base a versão do Universo Ultimate, criado neste século, mais contemporânea em seus conceitos que aquela imaginada por Stan Lee e Jack Kirby nos anos 1960. Por isso, nada de quatro aventureiros sendo atingidos por raios cósmicos durante uma viagem ao espaço: desta vez, Reed Richards (Miles Teller) é um jovem prodígio da ciência levado pelo pai de Sue e Johnny para o Edifício Baxter, onde desenvolve um equipamento capaz de levar o cientista e o casal de irmãos, com Ben Grimm (Jamie Bell), a outras dimensões.

A viagem a outro plano dimensional tem efeitos catastróficos para os quatro, que adquirem capacidades únicas. Reed, o Senhor Fantástico, torna-se capaz de esticar o seu corpo como se fosse feito de borracha; Sue, a Mulher Invisível, pode ficar invisível (claro) e gerar campos de força; Johnny, o Tocha Humana, tem um nome mais que apropriado às suas capacidades incendiárias; e Ben, o Coisa, passa a ter um corpo de pedra e força inigualável. Esses Quatro Fantásticos logo atiçam as intenções belicistas de quem gosta de faturar com guerras e carnificinas em geral, e logo o Quarteto precisa lidar com o seu lugar no mundo e também com a ameaça daquele que é o maior e mais legal vilão do Universo Marvel: o Doutor Destino (Toby Kebbell), que terá poderes algo diferentes dos vistos nos quadrinhos.

Com a Marvel construindo seu universo cinematográfico com esmero, tornando personagens pouco expressivos como o Homem-Formiga em um sucesso na sala escura, a Fox ainda prefere não interligar X-Men e Quarteto Fantástico na mesma realidade da tela grande. Resta torcer para que, após tantos tropeços, o estúdio consiga enfim entregar um filme à altura da Primeira Família da Casa das Ideias, mas, principalmente, que o Doutor Destino tenha o espaço, peso e importância que merece.

QUARTETO FANTÁSTICO

UCI 3 (dub): 13h10, 15h20 e 17h30. UCI 3: 19h40, 21h50 (todos os dias) e meia-noite (sexta-feira e sábado). Cinemais 5 (dub): 15h20, 17h30 e 19h40. Cinemais 5: 21h50. Santa Cruz 1 (dub): 16h45, 19h e 21h10

Classificação: 10 anos