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Vírus conhecido por infectar animais foi detectado em um ser humano pela primeira vez em um país da Europa

Governo francês garante que a população em geral não corre perigo diante do que se sabe hoje sobre o comportamento do vírus.


Por Bernardo Teixeira

25/10/2026 às 20h39

Vírus conhecido por infectar animais foi detectado em um ser humano pela primeira vez em um país da Europa
Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels

Um morador da região de Lyon, no leste da França, na casa dos 60 anos, não resistiu após ser infectado pelo vírus Shamonda, até agora associado apenas a animais de criação. O governo francês confirmou o óbito nesta quarta-feira (22), marcando o que seria o primeiro caso conhecido de contaminação humana pelo patógeno.

Ele enfrentava um quadro de saúde delicado, com o sistema imunológico enfraquecido, o que o deixava mais exposto a infecções em comparação a alguém sem essa condição. As autoridades acreditam que ele tenha sido contaminado pela picada de um mosquito, espécie que tem circulado bastante na área onde ele morava.

Profissional de saúde em traje de proteção oferecendo máscaras faciais para segurança e higiene.
Foto: Gustavo Fring/Pexels

Como ocorreu a contaminação

Mosquitos do gênero Culicoides espalham o vírus entre rebanhos de gado, mas também já foram flagrados picando cavalos, alpacas, ovelhas e cabras. Na primavera e no verão deste ano, esses insetos circularam pela região onde a vítima morava, transmitindo o patógeno entre animais criados localmente.

O falecimento aconteceu no início de outubro, e equipes francesas de vigilância sanitária tentam agora esclarecer dois pontos centrais: se a infecção realmente provocou o óbito e de que forma o homem foi contaminado. Até o momento, nenhuma ligação direta e comprovada foi estabelecida entre o vírus e a causa da morte.

Profissionais de saúde em trajes de EPI com texto COVID-19, vista traseira, indoors.
Foto: Helena Jankovičová Kováčová/Pexels

Vigilância internacional acompanha o desenvolvimento

Com sede na capital sueca, o órgão europeu responsável pelo controle de doenças está em contato direto com as equipes francesas para avaliar os possíveis desdobramentos do caso. A instituição acompanha o caso com parceiros de outros países europeus, enquanto a Organização Mundial da Saúde Animal também recebe informações sobre a circulação do vírus entre rebanhos.

Apesar da gravidade do desfecho, o governo francês garante que a população em geral não corre perigo diante do que se sabe hoje sobre o comportamento do Shamonda. Nenhum risco à saúde pública foi identificado até o momento.

Origem e expansão na Europa

O vírus foi identificado pela primeira vez na Nigéria em meados da década de 1960. Depois de décadas restrito a outras regiões, chegou à Europa no final de julho, após análises genéticas em rebanhos no sul da Alemanha, na Suíça e no leste francês confirmarem sua presença.

Depois disso, a presença do vírus em propriedades rurais foi confirmada em diversos outros países europeus, incluindo Áustria, Bélgica, Irlanda, Itália, Liechtenstein, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Eslovênia e Espanha, além da ilha britânica de Jersey.

Como não está classificado como doença de notificação obrigatória pela legislação sanitária da União Europeia, o vírus segue sem protocolos formais de controle no bloco.

Close-up de uma pessoa usando equipamento de proteção, incluindo máscara facial e óculos de proteção, em um ambiente de saúde.
Foto: Matilda Wormwood/Pexels

Impacto econômico e perspectivas de controle

Em propriedades rurais francesas, a infecção afetou a produção. Vacas contaminadas apresentaram diarreia, fraqueza, perda de apetite e, com menos frequência, febre, sintomas que reduziram a produção das fazendas.

Um levantamento feito em nove fazendas leiteiras francesas revelou quedas de até 75% no volume de leite produzido pelos rebanhos atingidos. O dado reforça a preocupação do setor agropecuário europeu com a disseminação do vírus. Até agora, não há vacinas comercialmente disponíveis contra o Shamonda, e o controle depende da vigilância e do isolamento dos animais afetados.