Cientistas descobrem animal desconhecido que viveu há 250 mil anos em caverna ligada a antigos humanos: análise de DNA revelou uma espécie que a ciência ainda não conhecia
Cientistas ainda precisam de mais evidências além do DNA para oficializar a descoberta como nova espécie.

Fragmentos ósseos recuperados na caverna Denisova, na Sibéria, revelaram a existência de uma espécie bovina extinta que a ciência desconhecia até agora. O achado, batizado provisoriamente como “Yak X”, viveu entre 250 mil e 27 mil anos atrás e pode ter vivido na mesma região que antigos hominídeos durante a Era do Gelo.
Foi na mesma caverna que, em 2008, cientistas encontraram evidências que levaram ao reconhecimento dos Denisovanos, um grupo de hominídeos até então desconhecido. Os Denisovanos eram parentes dos Neandertais e precursores do Homo sapiens. Pesquisadores da Universidade de Estocolmo analisaram centenas de fragmentos ósseos recolhidos na caverna e em outros três sítios arqueológicos próximos, nas montanhas de Altai.

Como a descoberta foi feita
Os pesquisadores analisaram o material genético dos pequenos fragmentos ósseos e constataram que ele não correspondia ao de nenhuma espécie viva ou extinta. Os testes indicaram a presença de material genético de 20 indivíduos distintos da nova espécie, com idades variando entre 250 mil e 27 mil anos.
De acordo com o pesquisador Alexandre Gilardet, da Universidade de Estocolmo, a equipe não participou diretamente das escavações, mas teve acesso aos achados por meio de colaboração científica. Os avanços recentes em biotecnologia permitiram identificar uma espécie de mamífero de grande porte a partir de fragmentos diminutos que, isoladamente, não permitiriam reconhecer a espécie.
Relação com o iaque e com os humanos antigos
As características já reconstruídas indicam que o “Yak X” era parente próximo do iaque moderno, um herbívoro asiático de pelagem espessa domesticado por humanos para montaria e para obter leite e couro. O bovino pré-histórico conviveu com megafauna da época, incluindo mamutes lanosos, bisões-da-estepe e auroque, o ancestral selvagem do gado doméstico contemporâneo.
Ainda não se sabe se os Denisovanos ou outros grupos humanos que habitavam a região na época chegaram a caçar essa espécie de iaque antigo.
Quando o DNA sozinho não é suficiente para confirmar uma espécie
Embora o código genético do “Yak X” não corresponda a nenhuma espécie conhecida, os pesquisadores ainda não o oficializaram como nova espécie. A ciência exige outras evidências além do material genético para atribuir um nome científico definitivo ao animal e concluir seu reconhecimento formal. O DNA é um forte indicador, mas, sozinho, não encerra a questão.








