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Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem maduras desde cedo, enquanto outras continuam agindo como adolescentes mesmo depois de décadas de vida? Psicóloga explica

Pagar as próprias contas e ter uma carreira não garantem maturidade; para especialista, ser adulto envolve dimensões emocionais, cognitivas e sociais que nem sempre caminham no mesmo ritmo


Por Bernardo Teixeira

24/10/2026 às 19h36

Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem maduras desde cedo, enquanto outras continuam agindo como adolescentes mesmo depois de décadas de vida? Psicóloga explica
Pessoas Conversando - Reprodução/iStock

Completar 18 anos, conseguir o primeiro emprego, sair da casa dos pais. Durante muito tempo, esses marcos foram vistos como sinais claros de que alguém tinha se tornado adulto. Na prática, porém, muita gente cumpre todas essas etapas e continua reagindo às frustrações como um adolescente.

Uma frase que viralizou nas redes sociais resume esse sentimento: ao crescer, a pessoa percebe que, no fundo, não existem adultos.

Idade não é sinônimo de maturidade

A resposta sobre o que faz alguém ser adulto passa por diferentes dimensões do desenvolvimento humano. A maturidade não se resume à idade nem às conquistas materiais. Ela envolve também aspectos emocionais, cognitivos e psicossociais.

O ponto central é que essas dimensões não amadurecem todas ao mesmo tempo. Uma pessoa pode ser muito competente no trabalho e, ao mesmo tempo, ter dificuldade de lidar com críticas, conflitos ou decepções nos relacionamentos.

Por isso, segundo especialistas, não existe uma lista única de etapas capaz de dizer, com precisão, quando alguém se tornou adulto de fato.

Responsabilidade não é tudo

Pagar as próprias contas, construir uma carreira e tomar decisões importantes são conquistas que costumam fazer parte da vida adulta. Elas mostram autonomia e capacidade de assumir compromissos.

Mas, cumprir essas obrigações não significa, automaticamente, ter maturidade emocional. Há adultos com a vida financeira organizada que ainda reagem de forma impulsiva, fogem de conversas difíceis ou têm dificuldade de reconhecer os próprios erros.

O amadurecimento é contínuo. “O homem é um ser em construção e sua maturidade é psicodinâmica”.

Nesse sentido, admitir que não se sabe tudo não deve ser visto como sinal de fracasso ou incompetência. Ao contrário: reconhecer limites faz parte do próprio processo de amadurecer.

Por que o amadurecimento parece demorar mais hoje

A sensação de “não se sentir adulto” é comum, principalmente entre os mais jovens. Pesquisadores da psicologia do desenvolvimento chegaram a criar um termo para descrever a fase entre o fim da adolescência e o meio dos 20 anos: adultez emergente, conceito proposto pelo psicólogo norte-americano Jeffrey Arnett no início dos anos 2000.

Essa etapa é marcada por experimentação e instabilidade, com mudanças frequentes de curso, emprego, cidade e relacionamentos. Fatores como mais tempo dedicado aos estudos e entrada mais tardia no mercado de trabalho ajudam a explicar por que muitos jovens demoram a se sentir plenamente adultos.

Ao mesmo tempo, quem precisou assumir responsabilidades muito cedo, seja por questões familiares ou financeiras, costuma amadurecer em ritmo mais acelerado em alguns aspectos.

Maturidade se constrói

A mensagem dos especialistas é que maturidade não aparece de repente em uma data do calendário. Ela vai sendo construída a partir das experiências vividas, da forma como cada pessoa lida com elas e da disposição para aprender com os próprios erros.

Isso também explica por que é possível encontrar jovens surpreendentemente maduros e adultos que, apesar da idade, ainda estão aprendendo a lidar com as próprias emoções.