Ouça agora

Um homem fazia um trabalho comum no quintal de casa quando se deparou com algo inesperado, mas foi só depois da chegada dos arqueólogos que descobriram o que estava escondido ali havia cerca de 3 mil anos

Novas escavações devem seguir no local, com expectativa de que mais fragmentos surjam ao redor do bloco de granito que iniciou toda a descoberta.


Por Bernardo Teixeira

16/10/2026 às 16h07

Um homem fazia um trabalho comum no quintal de casa quando se deparou com algo inesperado, mas foi só depois da chegada dos arqueólogos que descobriram o que estava escondido ali havia cerca de 3 mil anos
Imagem gerada por inteligência artificial

Uma pedra com inscrições hieroglíficas interrompeu o trabalho de jardinagem de um morador da aldeia de Behebat al-Hijara, na província de Gharbia, no Egito. Ao cavar o próprio quintal, ele encontrou um bloco que escondia vestígios de duas estátuas com cerca de 3 mil anos.

Equipes de escavação foram enviadas ao local, e o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito confirmou o achado. Uma das esculturas foi atribuída ao faraó Ramsés II, que governou o Egito entre 1.279 a.C. e 1.213 a.C, e a identidade retratada na segunda peça ainda aguarda confirmação oficial.

um homem fazia um trabalho comum no quintal de casa qua 1
Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

Cabeça de quase 2 metros aponta para Ramsés II

A equipe de arqueólogos reconheceu primeiro uma cabeça monumental com aproximadamente 1,60 metro. A peça traz a coroa dupla, símbolo da união entre o Alto e o Baixo Egito sob um único governante.

Perto da cabeça, restos da parte superior de uma coluna dorsal exibiam uma inscrição com o título de Hórus ligado ao faraó: “Hor-ka-nakht-mery-maat”. Hisham El-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, calcula que, pela proporção da cabeça, a estátua completa, com a base incluída, poderia chegar a 8,5 metros de altura.

Segunda escultura ainda intriga pesquisadores

A segunda descoberta na mesma escavação foi um fragmento de 2,4 metros, sem base nem pernas preservadas. A equipe responsável pelo sítio ainda analisa a hipótese de que a peça também retrate Ramsés II.

No bloco de granito rosa de 1,30 metro que motivou toda a investigação, apareceram dois títulos ligados ao faraó. “Nesu Beti” identifica o governante como soberano das duas regiões egípcias, e “Sa Ra” o apresenta como descendente direto do deus do sol.

Templo de Ísis reforça importância da região

A aldeia fica perto de Behbeit El-Hagar, sítio que guarda vestígios de um templo dedicado à deusa Ísis e destaca a importância arqueológica da região no Delta do Nilo.

Blocos de granito e outros fragmentos arquitetônicos espalhados pela área indicam que ali funcionava um complexo religioso de grande porte na Antiguidade. O ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Sherif Fathy, classificou as novas peças como uma adição relevante ao conjunto de achados recentes do país.

O quintal transformado em sítio arqueológico deve seguir sob análise das equipes ligadas ao Conselho Supremo de Antiguidades do Egito. A expectativa é que novos fragmentos ainda surjam no entorno do bloco de granito que deu início a toda a escavação.

Por que o governo egípcio investe em novas descobertas arqueológicas

As escavações contínuas e os achados arqueológicos preservam a história e movimentam a economia do país. O Egito enfrenta dificuldades financeiras e depende do turismo de antiguidades como fonte importante de divisas estrangeiras, ao lado do Canal de Suez.

Descobertas recentes, como cidades inteiras da era bizantina e tumbas com tesouros, são divulgadas estrategicamente para atrair visitantes e impulsionar o setor turístico vital para o país.