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Após cuidar de aproximadamente 150 bois em uma fazenda, garoto desenvolveu uma síndrome rara e passou nove dias no hospital

Após três sessões de hemodiálise e transfusões, Blake recebeu alta do hospital em 10 de abril com acompanhamento nefrológico mensal.


Por Bernardo Teixeira

14/10/2026 às 18h08

Após cuidar de aproximadamente 150 bois em uma fazenda, garoto desenvolveu uma síndrome rara e passou nove dias no hospital
Foto: Jemzo/Pixabay

Um adolescente norte-americano de 13 anos, identificado como Blake, contraiu uma infecção bacteriana grave enquanto trabalhava com gado na fazenda da família. E desenvolveu síndrome hemolítica urêmica, uma complicação que danificou seus rins e exigiu internação prolongada.

Segundo o Ministério da Saúde, a síndrome é uma doença grave em que glóbulos vermelhos são destruídos, as plaquetas diminuem e os rins sofrem lesão aguda. Entre 16 e 17 de março de 2025, Blake ajudava a manejar aproximadamente 150 bovinos, com atividades como alimentação, vermifugação e coleta de sangue.

Em 25 de março, nove dias depois, Blake começou a sentir dores abdominais intensas e diarreia, e a família o levou a um serviço de emergência.

apos cuidar de aproximadamente 150 bois em uma fazenda
Reprodução / Redes sociais

Como a infecção progrediu

Os médicos identificaram inflamações no abdômen e no intestino durante a avaliação inicial. Blake recebeu medicamentos e teve alta, mas o quadro piorou: os vômitos e a fraqueza não respondiam ao tratamento.

Em 2 de abril, o menino retornou ao hospital, e no dia seguinte, exames revelaram insuficiência renal aguda, tornando necessária a hemodiálise imediata. A suspeita era de contaminação pela bactéria Escherichia coli produtora de toxina Shiga, possivelmente pelo contato com o gado.

Características e transmissão da síndrome hemolítica urêmica

A bactéria Escherichia coli O157:H7, frequentemente encontrada em bovinos, é a causa mais comum da forma infecciosa dessa síndrome. A transmissão ocorre por ingestão de água ou alimentos contaminados, ou ainda por contato direto com fezes de pessoas e animais infectados.

Os sintomas costumam incluir diarreia, vômitos e cólicas abdominais, e esses sinais podem evoluir para palidez, sonolência acentuada, redução da urina e inchaço. A diarreia pode conter sangue, embora a ausência de sangramento não exclua a síndrome.

Em casos mais severos, surgem complicações como hipertensão e lesões neurológicas permanentes, de dois a cinco por cento dos casos podem ser fatais.

Recuperação e acompanhamento

O tratamento da síndrome é fundamentalmente de suporte, focando no controle de líquidos, sais minerais e nutrição adequada, com transfusões quando indicado. Pacientes em estado crítico necessitam de cuidados intensivos, e o Ministério da Saúde desaconselha antibióticos para a diarreia, pois podem piorar a função renal.

Blake submeteu-se a três sessões de hemodiálise e recebeu transfusões. Com a recuperação gradual dos rins, recebeu alta em 10 de abril após nove dias internado, deixando o hospital com medicação para pressão arterial e acompanhamento nefrológico mensal.

Por que 75% das pessoas expostas à bactéria não ficam doentes?

Segundo dados médicos, apenas 15% das pessoas que entram em contato com a Escherichia coli desenvolvem sintomas clínicos. Outros 75% permanecem sem qualquer manifestação, mesmo tendo sido expostos à bactéria. Entre aqueles que adoecem, apenas 10% evoluem para formas graves que chegam à síndrome hemolítica urêmica.

Isso significa que o corpo da maioria das pessoas consegue eliminar a infecção sozinho, sem danos visíveis: a infecção ocorre, mas o sistema imunológico a controla naturalmente.