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Você pode não perder o emprego, mas sua profissão pode mudar: estudo estima que a inteligência artificial afetará 40% das vagas no mundo, com funções que podem ser transformadas, perder espaço ou até desaparecer

Países ricos com mais recursos conseguem investir em formação contínua e infraestrutura para acompanhar a mudança tecnológica mais rapidamente que nações em desenvolvimento.


Por Bernardo Teixeira

13/10/2026 às 18h08

Você pode não perder o emprego, mas sua profissão pode mudar: estudo estima que a inteligência artificial afetará 40% das vagas no mundo, com funções que podem ser transformadas, perder espaço ou até desaparecer
Foto: Tara Winstead/Pexels

Os efeitos da inteligência artificial sobre o emprego vão muito além da simples eliminação de postos de trabalho. O FMI estima que a tecnologia deve, com o tempo, alterar quase metade das ocupações existentes no planeta, seja aperfeiçoando funções, rebaixando-as ou extinguindo-as por completo, com variações conforme a região e o setor econômico.

Os aportes em infraestrutura de inteligência artificial têm contribuído para sustentar a expansão da economia mundial na faixa de 3%, favorecendo em particular os países asiáticos que produzem equipamentos voltados a essa tecnologia.

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Foto: Hitesh Choudhary/Unsplash

Impacto desigual entre economias

A Ásia obtém ganhos específicos com essa transformação, Estados Unidos, China e Índia lideram a produção dentro da cadeia de suprimentos da tecnologia, enquanto diversas companhias asiáticas erguem a infraestrutura indispensável para o funcionamento da IA. Essa distribuição beneficia economias como a Tailândia, que sedia os encontros internacionais sobre o tema.

Quem perde e quem ganha com as mudanças

À medida que funções repetitivas e rotineiras perdem espaço, áreas como construção civil e data centers vêm ampliando suas contratações, incluindo cargos de salários mais baixos. Um levantamento inicial do FMI identificou que 10% dos empregos nos Estados Unidos já demandam competências ligadas à tecnologia, o que indica a velocidade da mudança.

O desafio mais urgente envolve profissionais no início da carreira. Tharman Shanmugaratnam, presidente de Singapura, alertou que o primeiro emprego após a formatura enfrenta menor procura. Esse fenômeno pode aprofundar as disparidades entre nações ricas e em desenvolvimento se não houver ações para universalizar os benefícios da IA.

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Foto: Igor Omilaev/Unsplash

Três caminhos para lidar com a transformação

Autoridades mundiais apontam a formação contínua dos trabalhadores como a primeira prioridade, para preparar profissionais para as competências que o mercado exigirá. A segunda frente é ampliar o acesso às oportunidades, evitando que recém-formados encontrem portas ainda mais fechadas no mercado de trabalho.

A terceira frente diz respeito à repartição dos ganhos gerados pela tecnologia. Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, destacou que soluções de IA mais simples, que dispensam os grandes modelos de linguagem, têm potencial para impulsionar a produtividade em setores como agricultura, saúde e educação nos países em desenvolvimento, desde que esses ganhos não fiquem concentrados nos países mais ricos.

Dessa forma, a tecnologia poderia reduzir, em vez de ampliar, as diferenças econômicas globais.

Por que jovens enfrentam menos vagas de entrada no mercado

Tradicionalmente, recém-formados começam a carreira em atividades administrativas, repetitivas ou de menor complexidade, que servem como porta de entrada para ganhar experiência. A IA consegue executar justamente essas tarefas e reduz o número de posições disponíveis para quem está começando.

O problema não é apenas a eliminação de vagas, e quando essas posições desaparecem, jovens perdem oportunidades de desenvolver habilidades necessárias para avançar na carreira.

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Foto: Growtika/Unsplash

Quando o impacto da IA é menos grave

O FMI identificou alguns países mais preparados para integrar a inteligência artificial: Singapura, Estados Unidos e Canadá apresentam, até agora, condições mais favoráveis. Além disso, nem todos os empregos enfrentam o mesmo risco. Economias avançadas podem ter 60% de seus postos afetados, enquanto esse percentual é menor nas nações em desenvolvimento.

A diferença ocorre porque países com mais recursos conseguem investir em formação contínua e infraestrutura para acompanhar mais rapidamente a mudança tecnológica.