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Enquanto muitos pensariam em descansar aos 86 anos, agricultor continuou cultivando a terra no Brasil e transformou o trabalho de uma vida em uma forma de levar comida para outras pessoas

Aos 86 anos, Levi e sua esposa distribuem diariamente alimentos frescos na calçada de Porto União para alegrar quem passa pelo local.


Por Clyverton Silva

12/10/2026 às 13h45

Enquanto muitos pensariam em descansar aos 86 anos, agricultor continuou cultivando a terra no Brasil e transformou o trabalho de uma vida em uma forma de levar comida para outras pessoas
Foto ilustrativa: M Kamran Arvi/Pexels

No centro de Porto União, cidade do Planalto Norte catarinense, moradores encontram diariamente uma pequena estrutura montada na calçada com frutas e legumes vindos de uma produção rural local. Por ali circulam laranjas, limões, pokans, abóboras e chuchus, que podem ser retirados livremente, sem custo e sem qualquer tipo de registro.

Uma placa simples deixa clara a regra do lugar: cada pessoa pode levar um pacote, de graça. Responsável pela iniciativa, o agricultor Levi Imianoski, de 86 anos, encontrou na doação uma forma de dar destino a tudo que sobra da colheita, repetindo o gesto todos os dias.

Uma rotina que começa antes do amanhecer

Levi divide o tempo entre a direção, há mais de cinco décadas, de uma empresa ligada ao setor agrícola e o trabalho diário no sítio. É lá que cultiva hortaliças, frutas e legumes que ganham novo destino como doações.

É em parceria com a esposa, Gentile, de 83 anos, que ele organiza o processo: juntos cuidam da colheita, fazem a seleção dos alimentos, cortam e montam os pacotes que abastecerão a prateleira no dia seguinte. Juntos há 61 anos, os dois fazem dessa atividade parte essencial do seu dia a dia.

O costume que cresceu durante a pandemia

A distribuição de alimentos ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando o agricultor resolveu se mudar de vez para a propriedade no bairro Avencal. Com mais tempo para trabalhar na lavoura, Levi aumentou a produção e passou a ter ainda mais comida para compartilhar.

Esse hábito, porém, vem de muito antes. Enquanto ainda morava em apartamento, o agricultor já separava cestas com frutas e verduras para deixar na portaria do prédio.