Enquanto muitos pensariam em descansar aos 86 anos, agricultor continuou cultivando a terra no Brasil e transformou o trabalho de uma vida em uma forma de levar comida para outras pessoas
Aos 86 anos, Levi e sua esposa distribuem diariamente alimentos frescos na calçada de Porto União para alegrar quem passa pelo local.

No centro de Porto União, cidade do Planalto Norte catarinense, moradores encontram diariamente uma pequena estrutura montada na calçada com frutas e legumes vindos de uma produção rural local. Por ali circulam laranjas, limões, pokans, abóboras e chuchus, que podem ser retirados livremente, sem custo e sem qualquer tipo de registro.
Uma placa simples deixa clara a regra do lugar: cada pessoa pode levar um pacote, de graça. Responsável pela iniciativa, o agricultor Levi Imianoski, de 86 anos, encontrou na doação uma forma de dar destino a tudo que sobra da colheita, repetindo o gesto todos os dias.
Uma rotina que começa antes do amanhecer
Levi divide o tempo entre a direção, há mais de cinco décadas, de uma empresa ligada ao setor agrícola e o trabalho diário no sítio. É lá que cultiva hortaliças, frutas e legumes que ganham novo destino como doações.
É em parceria com a esposa, Gentile, de 83 anos, que ele organiza o processo: juntos cuidam da colheita, fazem a seleção dos alimentos, cortam e montam os pacotes que abastecerão a prateleira no dia seguinte. Juntos há 61 anos, os dois fazem dessa atividade parte essencial do seu dia a dia.
O costume que cresceu durante a pandemia
A distribuição de alimentos ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando o agricultor resolveu se mudar de vez para a propriedade no bairro Avencal. Com mais tempo para trabalhar na lavoura, Levi aumentou a produção e passou a ter ainda mais comida para compartilhar.
Esse hábito, porém, vem de muito antes. Enquanto ainda morava em apartamento, o agricultor já separava cestas com frutas e verduras para deixar na portaria do prédio.








