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O tempo passa para todo mundo, mas o envelhecimento não acontece da mesma maneira e hábitos mantidos durante anos podem fazer uma pessoa envelhecer de forma muito diferente de outra que tem exatamente a mesma idade

Estudos mostram que 70% do envelhecimento depende do estilo de vida, e nunca é tarde para mudar hábitos e reverter processos de deterioração.


Por Bernardo Teixeira

07/10/2026 às 18h31

O tempo passa para todo mundo, mas o envelhecimento não acontece da mesma maneira e hábitos mantidos durante anos podem fazer uma pessoa envelhecer de forma muito diferente de outra que tem exatamente a mesma idade
Foto: Vitaly Gariev/Pexels

Duas pessoas com 60 anos podem ter condições físicas muito diferentes: uma mantém força, disposição e aparência preservadas, enquanto a outra apresenta sinais mais avançados de desgaste. A diferença não está apenas no tempo transcorrido, mas em como cada organismo respondeu aos anos de vida, sob a influência de escolhas e circunstâncias acumuladas.

A idade marcada pelo calendário, chamada idade cronológica, é apenas um número. O estado do corpo depende do envelhecimento biológico, moldado ao longo das décadas por fatores que se sobrepõem: genética, processos metabólicos, influências ambientais e comportamentos repetidos.

Casal idoso sorrindo e se abraçando em um ambiente externo verdejante, capturando amor e amizade.
Foto: Matheus Bertelli/Pexels

Genética conta menos do que a rotina diária

Os genes herdados dos pais têm papel importante no envelhecimento, informou a médica Priscilla Mussi, coordenadora de geriatria. Segundo o programa Cuidar+ do Hospital Santa Lúcia, porém, apenas 30% do processo é determinado por fatores genéticos; os 70% restantes dependem do estilo de vida.

Essa proporção indica que a vida vivida pesa mais que o código genético, ao contrário da ideia de que a velhice é puramente hereditária. Comportamentos cotidianos, como praticar atividade física, não fumar, moderar o consumo de álcool e manter o peso adequado, influenciam diretamente o envelhecimento. Controlar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, também pode modificar esse processo.

Na direção oposta, dietas baseadas em ultraprocessados, sono insuficiente, tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse desencadeiam inflamação no corpo e aceleram o envelhecimento. Esses fatores podem causar resistência à insulina, perda de massa muscular e doenças cardiovasculares.

Exposições acumuladas desde a infância, como peso corporal inadequado nessa fase e tabagismo materno, influenciam o envelhecimento biológico décadas depois. Estudos recentes medem o peso de fatores ambientais e genéticos no envelhecimento, e o tabagismo se associa a mais doenças do que outros fatores ambientais individuais.

A genética tem maior influência em alguns tipos de doença, enquanto o ambiente pesa mais em outros, e a combinação desses fatores molda a forma como envelhecemos.

Casal de idosos sentado junto, capturando um momento de contentamento e companheirismo.
Foto: Mehmet Turgut Kirkgoz/Pexels

Melhorias são possíveis em qualquer idade

Embora ninguém possa parar o envelhecimento, é possível chegar aos anos mais avançados com função e capacidade física preservadas. Isso depende de movimento regular, alimentação sem excessos, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento de doenças crônicas. A atividade física, em especial, está associada a benefícios cardiovasculares, metabólicos, cognitivos e funcionais que melhoram a qualidade de vida.

Priscilla Mussi disse ao Metrópoles que nunca é tarde para mudar hábitos. Mesmo depois dos 60 anos, é possível recuperar função e disposição ao adotar práticas diferentes para o envelhecimento do corpo.

O passado não determina inteiramente o futuro do organismo, novas práticas adotadas hoje começam a reverter processos de deterioração, provando que a transformação é acessível em qualquer fase da vida.