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A tempestade revelou um segredo enterrado havia mais de 140 anos: restos de uma antiga embarcação surgiram na areia e podem pertencer a um navio destruído no século 19

Especialistas em arqueologia analisarão os destroços para confirmar definitivamente se pertencem à escuna Warren Sawyer.


Por Bernardo Teixeira

04/10/2026 às 19h04

A tempestade revelou um segredo enterrado havia mais de 140 anos: restos de uma antiga embarcação surgiram na areia e podem pertencer a um navio destruído no século 19
Foto: Arquivo pessoal/Jason Graziadei

Uma tempestade escavou a faixa de areia da praia de Nantucket, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e deixou à mostra pedaços de madeira que podem pertencer a um navio naufragado há mais de 140 anos. Moradores avistaram os fragmentos no sábado (26) e reacenderam o interesse por um dos episódios mais conhecidos da costa local.

A hipótese é que os destroços pertençam ao Warren Sawyer, escuna de madeira destruída ali no fim de 1884. A ilha é conhecida como “cemitério do Atlântico” porque mais de 750 naufrágios estariam submersos nas águas ao redor dela.

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Foto: Arquivo pessoal/Jason Graziadei

Um achado que já havia aparecido antes

Jason Graziadei, editor-chefe do jornal local Nantucket Current, registrou os restos de madeira. Em entrevista, ele disse que considerava incrível que, depois de mais de 100 anos, aquilo ainda estivesse ali. Graziadei estava entre os moradores que flagraram o momento assim que a maré baixou.

Pedaços semelhantes já tinham surgido antes: em dezembro de 2022, um trecho de cerca de 13 metros do casco apareceu na mesma região e pôde ser analisado por pesquisadores. Em fevereiro de 2023, outro fragmento, menor, voltou a aparecer, mas foi recoberto pela areia antes que arqueólogos conseguissem documentá-lo.

Especialistas vão analisar o material

O Instituto Marítimo Egan, responsável por preservar a história marítima local, enviou um especialista ao local. O instituto deve produzir um relatório e encaminhá-lo a arqueólogos de Massachusetts. David Robinson, diretor do Conselho de Recursos Arqueológicos Subaquáticos do estado, afirmou que as primeiras imagens dos fragmentos indicam semelhanças com os restos analisados em 2022.

Ainda não há confirmação definitiva da origem do material. Especialistas em arqueologia devem analisar os destroços para determinar a que embarcação pertencem.

A rota que terminou em naufrágio

Construída com três mastros, a escuna fazia a travessia entre Nova Orleans e Boston quando encalhou em 22 de dezembro de 1884. O capitão e sete tripulantes foram resgatados antes que a situação piorasse.

No porão, seguiam 1.115 fardos de algodão e 28 toneladas de sucata de metal, conforme o Conselho de Recursos Arqueológicos Subaquáticos de Massachusetts. O casco resistiu praticamente intacto na praia por duas semanas, até ser atingido por uma tempestade.

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Foto: Reprodução/Google Maps

Destroços espalhados por centenas de metros

Em 6 de janeiro de 1885, a tempestade destruiu de vez a escuna e espalhou partes do casco, da carga e das cordas por mais de 800 metros de praia. Mais de 140 anos depois, o desaparecimento e o reaparecimento dos destroços continuam a intrigar moradores e pesquisadores da ilha.