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Fenômeno que já está aquecendo o Brasil deve ganhar ainda mais força entre outubro e dezembro e continuar pelo menos até 2027, trazendo uma combinação de calor, seca, chuva intensa e risco de fogo

El Niño pode provocar a pior estiagem do Norte e Nordeste em décadas, com seca extrema avançando rapidamente e afetando agricultura, navegação e abastecimento de água.


Por Bernardo Teixeira

02/10/2026 às 18h31

Fenômeno que já está aquecendo o Brasil deve ganhar ainda mais força entre outubro e dezembro e continuar pelo menos até 2027, trazendo uma combinação de calor, seca, chuva intensa e risco de fogo
Foto: Italo Melo/Pexels

O Brasil enfrentará meses de extremos climáticos até o primeiro trimestre de 2027, segundo previsões do Inmet. O El Niño tem 95% de chance de atingir sua força máxima nos próximos três meses e pode se tornar o mais intenso desde 1950.

O país terá dois cenários climáticos opostos: a redução de chuvas no centro-norte aumenta o risco de incêndios, enquanto o Sul enfrenta risco de novas inundações. As temperaturas devem ficar acima da média histórica em quase todas as regiões.

a redução de chuvas no centro-norte aumenta o risco de incêndios, enquanto o Sul enfrenta risco de novas inundações. As temperaturas devem ficar acima da média histórica em quase todas as regiões.
Imagem gerada por inteligência artificial

Oceano Pacífico aquecido e seus efeitos

O fenômeno foi confirmado em junho e se intensifica com as águas do Oceano Pacífico Equatorial acima do padrão. No fim de setembro, a temperatura do oceano estava mais de 2 °C acima da média em áreas centrais e a leste. Esse aquecimento ajuda a explicar a diferença entre os extremos previstos para o território brasileiro.

O aquecimento do oceano amplia a seca no centro-norte, onde pouca chuva se combina com calor persistente. Ao mesmo tempo, o Sul recebe excesso de umidade, mantém os rios em níveis elevados e fica sob risco maior de novas inundações.

Cena tranquila do oceano com ondas suaves na praia de Torquay, Victoria.
Foto: Kaiser Concha/Pexels

Seca avança no Norte e no Nordeste

Os dados de setembro já mostram o avanço acelerado da estiagem. Municípios em seca extrema saltaram de quatro para 24 em um mês, enquanto situações de seca severa aumentaram de 153 para 197, com concentração no Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.

No Nordeste, 16% do território enfrenta seca grave, o quadro mais crítico do país. Roraima, Acre e Amazonas registram piora rápida das condições, e em alguns municípios, a falta de água já compromete a captação local. Em Roraima, a redução severa dos níveis dos rios Branco e Negro prejudica a navegação.

Um homem monitora as condições ambientais em um solo seco e rachado perto de uma ponte em um dia ensolarado.
Foto: Jonathan/Pexels

Impactos na agricultura e infraestrutura

O calor persistente combinado com o tempo seco aumenta a pressão sobre áreas rurais e eleva o risco de incêndios. A falta de água já dificulta a captação em alguns municípios afetados pela estiagem, enquanto níveis baixos dos rios prejudicam a navegação em alguns trechos.

Na agricultura, a soja, o café e os rebanhos do semiárido podem sofrer prejuízos graves pela combinação de estiagem e altas temperaturas.

No Sul, a umidade favorece o milho, mas o excesso de chuva traz riscos. Doenças podem afetar o trigo, enquanto plantios de soja e arroz enfrentam dificuldades. Mais de 190 alertas sobre níveis dos rios foram emitidos para a região em 2026. Chuvas acima do normal estão previstas até dezembro, quando o risco de cheias deve diminuir gradualmente.