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Bilhões de pessoas passaram a respirar um ar considerado perigoso em 2026, enquanto estudo revela como calor extremo e incêndios estão agravando a poluição em várias partes do mundo

Estudo alerta que respostas coordenadas em nível global são necessárias para enfrentar os efeitos do ozônio na saúde, ecossistemas e produção agrícola.


Por Bernardo Teixeira

01/10/2026 às 18h09

Bilhões de pessoas passaram a respirar um ar considerado perigoso em 2026, enquanto estudo revela como calor extremo e incêndios estão agravando a poluição em várias partes do mundo
Imagem gerada por inteligência artificial

Incêndios florestais extensos, ondas de calor fora do padrão e a emissão de gases por atividades humanas se combinaram para agravar a poluição em diferentes continentes neste ano.

Bilhões de pessoas respiraram ar que levantamentos classificam como extremamente ruim. A poluição atravessou fronteiras, espalhou-se entre países e cruzou continentes ao longo dos meses analisados, e a intensidade, porém, variou entre as regiões.

Ásia lidera o ranking de exposição

Entre janeiro e agosto, 60% dos moradores da Ásia enfrentaram concentrações extremamente altas de ozônio troposférico, o maior índice entre as regiões analisadas pelo CAMS. Na América do Norte, dois terços da população conviveram com ar classificado como ruim ou muito ruim durante o período.

A Europa teve resultado melhor, com metade dos habitantes nessa mesma faixa de qualidade, apesar dos avanços no controle de outros poluentes do ar. A América do Sul apresentou o cenário mais favorável: 81% da população esteve exposta a níveis bons ou aceitáveis de ozônio.

Cidades como o Rio de Janeiro, no entanto, não seguem essa média regional e aparecem entre os pontos com concentrações extremamente ruins de poluição por ozônio.

Vista atmosférica do horizonte da cidade de Almaty envolta em névoa e fumaça.
Foto: Anton Ivanov/Pexels

Como o ozônio se forma no ar

Ao contrário de outros poluentes, o ozônio troposférico não é emitido diretamente por uma chaminé ou um escapamento. Ele se forma a partir de uma reação química na atmosfera. Óxidos de nitrogênio, liberados pelo tráfego rodoviário e marítimo, pela indústria e por incêndios, reagem com compostos orgânicos voláteis emitidos por processos industriais e pela queima.

O calor intenso e a radiação ultravioleta favorecem essa reação e transformam esses gases em ozônio. As ondas de calor que atingiram várias partes do mundo neste ano intensificaram o processo químico.

Uma fábrica emitindo fumaça sobre uma paisagem natural em Kon Tum, no Vietnã.
Foto: Thái Trường Giang/Pexels

Efeitos no corpo e nos números globais

Um terço da população mundial esteve exposto a níveis considerados extremamente ruins de ozônio, enquanto outros 17% respiraram ar classificado como muito ruim. Apenas 5% dos habitantes do planeta respiraram ar de boa qualidade, e 15% respiraram ar aceitável.

No sistema respiratório, o ozônio provoca tosse, ardência nos olhos e dificuldade para respirar. Também piora crises de asma e sintomas de quem já tem doença respiratória. Grandes incêndios florestais registrados em 2026 aumentaram a presença do poluente, e durante a Copa do Mundo, em julho.

Incêndios no Canadá e no oeste dos Estados Unidos produziram plumas de fumaça que alcançaram Nova York e Nova Jersey e geraram alertas sobre a qualidade do ar. O fenômeno se repetiu nesta semana em Manaus, e na Europa, queimadas na França, na Espanha e na Bélgica também transportaram fumaça por milhares de quilômetros.

O ozônio afeta não apenas a saúde respiratória, mas também os ecossistemas e a produção agrícola. E os meios de subsistência estão interligados e reforça a necessidade de respostas coordenadas em nível global.

Vista de uma paisagem urbana com chaminés, fumaça e edifícios altos em um dia nublado.
Foto: Matej/Pexels