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Professores brasileiros estão entre os menos satisfeitos do mundo e país também aparece entre os que mais perdem educadores, com salários, estresse e condições de trabalho no centro do problema

Um relatório da OCDE que avaliou países membros, países em processo de adesão e participantes do G20 foi divulgado.


Por Clyverton Silva

30/09/2026 às 10h36

Professores brasileiros estão entre os menos satisfeitos do mundo e país também aparece entre os que mais perdem educadores, com salários, estresse e condições de trabalho no centro do problema
Foto ilustrativa: Andy Barbour/Pexels

Docentes brasileiros ocupam a terceira posição global em insatisfação com as condições de trabalho, e o país aparece em quarto lugar na fuga de educadores. Um relatório da OCDE que avaliou países membros, países em processo de adesão e participantes do G20 aponta que salários baixos, estresse em sala de aula e instabilidade contratual explicam boa parte da evasão da profissão.

Apenas 44,3% dos educadores brasileiros relatam estar satisfeitos com suas condições de emprego, sem considerar a remuneração. Entre as 38 nações analisadas, apenas Japão (37,3%) e Portugal (39,1%) registram percentuais menores. O índice brasileiro fica cerca de 24 pontos percentuais abaixo da média da Organização, de 68,4%.

Remuneração e saída da profissão

A insatisfação salarial é ainda maior: somente 22,3% dos docentes brasileiros estão satisfeitos com o que ganham, o quinto pior resultado no ranking global. Turquia (21,3%), Polônia (20,5%), Islândia (19,3%) e Portugal (13,4%) registram percentuais inferiores. Todos estão mais de 16 pontos abaixo da média internacional, de 38,7%.

Entre 2024 e 2025, 10,3% dos professores de ensino fundamental e médio deixaram a profissão no Brasil, colocando o país em quarto lugar entre 24 nações com dados disponíveis. Apenas a Comunidade Francesa da Bélgica (11,6%), Letônia (12%) e Dinamarca (14,5%) registraram saídas superiores.

A perspectiva para os próximos cinco anos é pior: 12,3% dos docentes entre 30 e 49 anos manifestaram intenção de abandonar a docência nesse período.

Estresse e indisciplina agravam o cenário

Acalmar alunos indisciplinados tornou-se uma rotina desgastante: 89,4% dos educadores brasileiros relatam que precisam fazê-lo “frequentemente” ou “sempre” em sala de aula. O percentual supera a média entre países da OCDE, de 72%, e fica abaixo apenas de Portugal (91,2%), Chile (91,3%) e Arábia Saudita (93,4%).

A instabilidade contratual agrava esse contexto: 63% dos docentes brasileiros têm emprego permanente. Esse é o segundo maior índice de precariedade entre 37 nações. A Costa Rica registra 55,8%, e o percentual brasileiro fica quase 20 pontos percentuais abaixo da média da Organização, de 80,7%.