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Qual é melhor: frio ou calor? Cientistas analisam o corpo humano e explicam qual clima leva vantagem

O calor e o frio acionam mecanismos biológicos distintos. Confira detalhes.


Por Clyverton Silva

29/09/2026 às 22h07

Qual é melhor: frio ou calor? Cientistas analisam o corpo humano e explicam qual clima leva vantagem
Foto ilustrativa: Daigoro Folz/Pexels

O corpo humano resiste a quedas de temperatura muito maiores do que a elevações, porque o calor e o frio acionam mecanismos biológicos distintos. A temperatura normal fica em torno de 36°C, mas o organismo suporta apenas 10 graus a mais antes de entrar em colapso, com limite máximo de cerca de 46,5°C.

Em contrapartida, suporta uma queda de mais de 20 graus e sobrevive, em média, a 13,7°C. Essa diferença mostra como o calor e o frio afetam o corpo de formas opostas. Muitos conseguem se recuperar de hipotermia severa, mas praticamente ninguém sobrevive a temperaturas muito elevadas. A explicação está no que cada extremo faz às células.

Por que o calor mata mais rápido

Quando a temperatura corporal sobe além de 40°C, as proteínas responsáveis por funções vitais começam a se desintegrar. As moléculas de gordura que formam as membranas celulares se liquefazem, e as células não conseguem mais manter sua estrutura. A partir de 47°C, danos suficientes já ocorreram para que o corpo cesse de funcionar.

Até certo ponto, o calor beneficia o organismo — as proteínas ficam mais flexíveis e interagem melhor com outras moléculas, enquanto o sistema imunológico recebe um estímulo extra. Esse benefício desaparece rapidamente quando o limite crítico é ultrapassado, sem nenhuma defesa biológica forte o suficiente para frear a destruição das células.

Por que o frio oferece mais chances de sobrevivência

Segundo especialistas, o frio funciona de forma oposta. As células não se rompem; passam a funcionar mais devagar. O metabolismo desacelera a cada grau de queda, a comunicação cerebral se torna mais lenta e menos sangue circula pelo corpo.

O corpo dispõe de muito mais mecanismos para resistir ao frio do que ao calor. Os músculos tremem, os dentes batem e a pele se arrepia. Essas reações geram calor e retardam o resfriamento.