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Fenômeno histórico que assusta cientistas pode atingir o mundo inteiro e fazer os preços dos alimentos aumentarem no Brasil em 2027

Uma alta de 0,5 ponto percentual na inflação brasileira está sendo atribuída ao El Niño pelo Banco Central, com efeito concentrado no próximo ano. A…


Por Bernardo Teixeira

29/09/2026 às 17h35

Fenômeno histórico que assusta cientistas pode atingir o mundo inteiro e fazer os preços dos alimentos aumentarem no Brasil em 2027
Foto: Nikolai Kolosov/Pexels

Uma alta de 0,5 ponto percentual na inflação brasileira está sendo atribuída ao El Niño pelo Banco Central, com efeito concentrado no próximo ano. A projeção consta no Relatório de Política Monetária divulgado pela autoridade monetária na última quinta-feira (24/9).

Alimentos in natura devem sentir o impacto já em 2026, mas a força maior do fenômeno recai sobre as safras que serão colhidas em 2027. Café, soja, milho, arroz, algodão e cana-de-açúcar estão entre as culturas monitoradas pelo Banco Central diante do risco climático.

A meta de inflação para 2027 era de 4,10% e passou para 4,30% nas contas do Banco Central, um patamar acima do que vinha sendo perseguido. Parte dessa revisão reflete a incorporação gradual dos efeitos do fenômeno nos preços de alimentos. E na alimentação no domicílio, dados que o Instituto Nacional de Geografia e Estatística apura mensalmente através do IPCA.

1. Efeito sobre grãos e proteína animal

Impactos heterogêneos entre culturas de grãos aparecem como marca registrada do fenômeno, favorecendo a soja e prejudicando o milho, principalmente na segunda safra do ano. Essa dinâmica desigual é o que torna as estimativas mais difíceis de calcular com precisão, segundo o Banco Central.

Cautela na leitura dos números é recomendada pela autoridade monetária: os riscos para a produtividade agrícola não devem ser confundidos com uma previsão fechada de safra. Fatores além do clima respondem pela maior parte das oscilações observadas na produção, mesmo quando o fenômeno climático contribui de forma relevante em episódios pontuais.

Colheitadeira trabalhando em vasto milharal durante a temporada de colheita sob um céu azul claro.
Foto: Alex Rusin/Pexels

2. Revisão feita pelo governo

Também revisada foi a projeção da Secretaria de Política Econômica, vinculada ao Ministério da Fazenda: de 3,6% para 3,8% no Boletim Macrofiscal. Número que embute a expectativa de um fenômeno mais intenso pesando sobre a produção agrícola do próximo ano. Grãos sentem primeiro o golpe, e depois vem o efeito indireto sobre o preço das carnes, conforme a pasta.

Produção mais cara de ração e insumos tende a se refletir no valor final da proteína animal nas prateleiras, um encadeamento que a equipe econômica já monitora. A pasta atribui a revisão para cima justamente a essa combinação de efeitos diretos na lavoura e indiretos na cadeia da carne.

Aquecimento incomum das águas do Oceano Pacífico, perto da América do Sul, é o que caracteriza o fenômeno e o distingue do episódio oposto, o La Niña. Circulação de ventos e volume de chuva mudam de padrão em boa parte do planeta. E o ciclo tende a se repetir a cada 2 a 7 anos, com duração de vários meses.

Energia, abastecimento de água e agricultura formam o tripé mais sensível a esse tipo de variação climática. O que explica por que o Banco Central acompanha o tema tão de perto na hora de calibrar a Política monetária.

Um cenário de inflação mais pressionada tende a dificultar qualquer movimento de corte na Selic. Hoje em 13,75%, justamente no momento em que o Comitê de Política Monetária avalia o ritmo dos próximos passos.

Vista detalhada de 100 notas de 100 reais brasileiros, enfatizando o tema de moeda e finanças.
Foto: Daniel Dan/Pexels