Muita gente entra no banheiro e acaba ficando 10, 15 ou até 20 minutos mexendo no celular, hábito que médicos dizem que pode trazer consequências para a saúde
Quanto mais tempo alguém permanece sentado no vaso sanitário, maior o risco de desenvolver hemorroidas e outros problemas na região anal. Um estudo…

Quanto mais tempo alguém permanece sentado no vaso sanitário, maior o risco de desenvolver hemorroidas e outros problemas na região anal. Um estudo publicado em 2025 na revista científica PLOS One identificou essa relação ao examinar 125 pacientes que fizeram colonoscopia de rastreamento. Os pesquisadores verificaram que 66% dos participantes utilizavam o smartphone enquanto evacuavam.
Entre quem levava o celular, 37,3% ultrapassavam cinco minutos sentado, enquanto apenas 7,1% dos que não traziam o aparelho permaneciam por esse tempo.
Por que o tempo prolongado causa problemas
Quando a evacuação se estende demais, especialmente com esforço intenso, a pressão sobre a região anal aumenta. Isso favorece o surgimento ou o agravamento de hemorroidas, que provocam sangramento, dor, coceira e, em alguns casos, prolapso (quando o tecido se exterioriza). A constipação e as fezes ressecadas aumentam o esforço e também podem causar fissuras anais.
Após controlar variáveis como idade, sexo, massa corporal, prática de exercícios, dificuldade para evacuar e ingestão de fibras. Os investigadores associaram o uso do smartphone no banheiro a um risco 46% maior de hemorroidas.
O gastroenterologista Jacques Matone, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, afirmou que o problema não é levar o celular para o banheiro, mas transformar o vaso sanitário em uma poltrona. O aparelho faz a pessoa perder a noção do tempo e ficar ali 10, 15 ou até 20 minutos sentada no vaso.

O tempo ideal e quando procurar ajuda
Especialistas concordam que três a cinco minutos bastam para evacuar normalmente. Quem costuma ficar dez minutos ou mais no vaso, especialmente fazendo força, deve rever essa rotina. Uma recomendação prática é usar um alarme no próprio celular para limitar o tempo e sair do vaso assim que a evacuação termina.
Ficar 20 ou 30 minutos no vaso com frequência, associado a dor, sangramento, constipação ou sensação de evacuação incompleta, justifica uma consulta médica para descartar complicações como o prolapso retal, que exige tratamento cirúrgico quando diagnosticado.
O celular também carrega contaminação
Além do tempo prolongado, o aparelho pode carregar microrganismos quando a pessoa toca superfícies do banheiro ou faz a higiene íntima sem lavar as mãos depois. Estudos microbiológicos já documentaram em celulares a presença de bactérias comuns da pele e das mãos e de organismos encontrados no ambiente do banheiro.
O infectologista Klinger Faíco, da Sociedade Brasileira de Infectologia, destaca que o risco de contaminação cruzada depende de hábitos de higiene e limpeza do aparelho.
A recomendação principal é manter o celular fora do banheiro ou, se isso não for possível, higienizá-lo regularmente. Também é preciso lavar as mãos após usar o vaso, antes de voltar a tocar no telefone.









