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Quantos milhões de reais vão deixar de ser movimentados no Brasil com o fim das bets e para onde esse dinheiro pode ir agora?

O encerramento das operações de apostas online representa uma frustração de receitas sem precedentes para os cofres públicos brasileiros.


Por Clyverton Silva

28/09/2026 às 17h06

Quantos milhões de reais vão deixar de ser movimentados no Brasil com o fim das bets e para onde esse dinheiro pode ir agora?
Foto ilustrativa: MART PRODUCTION/Pexels

O encerramento das operações de apostas online representa uma frustração de receitas sem precedentes para os cofres públicos brasileiros. A União deixará de arrecadar R$ 800 milhões todos os meses, valor que corresponde à média mensal obtida com as plataformas reguladas até esta semana. No período de janeiro a agosto de 2026, o governo acumulou R$ 6,3 bilhões nessa arrecadação.

Desde o início da regulamentação do mercado, em janeiro de 2025, o total colhido foi de R$ 15,3 bilhões — recursos que abarcavam o Imposto de Renda. IOF, Cofins, Pis/Pasep, CSLL, Cide e Contribuição Previdenciária cobrados das operadoras autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

Como a arrecadação funcionava

A regulamentação inicial de 2023 estabeleceu uma cobrança de 12% do que as casas de apostas recebiam em apostas, conhecido como Gross Gaming Revenue ou GGR. Uma lei aprovada depois aumentou essa alíquota para 15% em 2028, com crescimentos intermediários de 1 ponto percentual em 2026 e 2027.

As 84 operadoras licenciadas, que gerenciavam 193 marcas diferentes até o primeiro semestre deste ano. Geraram R$ 20,28 bilhões em receita bruta nesse período — 6,2% acima dos R$ 19,09 bilhões no mesmo semestre anterior. O faturamento total de 2025 alcançou R$ 40,69 bilhões, mostrando expansão consistente do setor antes da proibição.

Destino obrigatório dos recursos

A legislação estabelecia que parte do dinheiro arrecadado tinha alocação específica em diferentes setores. No primeiro semestre de 2026, R$ 2,49 bilhões saíram das apostas para políticas públicas obrigatórias: Esporte recebeu R$ 870,15 milhões. Turismo ficou com R$ 677,52 milhões, Segurança Pública obteve R$ 329,08 milhões, enquanto Seguridade Social e Educação dividiram R$ 493,84 milhões.

Além dessa divisão de impostos e transferências, as próprias operadoras investiram R$ 30 milhões em outorga para operar durante cinco anos, dinheiro que também será perdido com o encerramento das atividades.