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Voto e Cidadania 2026: Conheça o candidato do PSDB ao Senado por Minas, Aécio Neves, e suas propostas

Ex-governador propõe ampliar o prazo de pagamento da dívida de Minas e atrair investimentos para a Zona da Mata


Por Bernardo Marchiori

29/09/2026 às 18h29

Voto e Cidadania 2026

Deputado federal e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disputa uma das duas vagas ao Senado pelo estado com o número 456. Entre suas propostas está a revisão das condições de pagamento da dívida mineira, com a ampliação do prazo de 30 para 50 anos e a redução do comprometimento da receita com as prestações. Para Juiz de Fora e a Zona da Mata, defende ampliar a atividade da fábrica da Mercedes-Benz e desenvolver um polo logístico a partir do Aeroporto Itamar Franco, buscando atrair investimentos e gerar empregos.

Na edição 2026 do projeto Voto e Cidadania, a Tribuna de Minas entrou em contato com as assessorias dos 16 candidatos ao Senado por Minas Gerais. Todos receberam as mesmas perguntas sobre suas trajetórias, as demandas da Zona da Mata, a renegociação da dívida estadual e a atuação na fiscalização do governo federal e na análise de indicações para cargos como os de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

As respostas são publicadas conforme encaminhadas pelas assessorias, sem edição de conteúdo pela Tribuna. Houve apenas cortes nos casos em que o limite de caracteres, informado previamente a todas as campanhas, foi ultrapassado.

Conheça o candidato do PSDB ao Senado por Minas, Aécio Neves, e suas propostas
(Foto: Divulgação)
  • Quem é você, qual é sua trajetória e por que decidiu disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais?

“Sou deputado federal e candidato a senador nestas eleições. Fui eleito governador de Minas em primeiro turno com 5.282.043 de votos – 58% dos votos válidos. A maior votação da história do Estado até então. Em 2006, fui reeleito também em 1º. turno, com 77,03% dos votos válidos, novamente um recorde. Ao longo de 40 anos de mandatos sucessivos, sempre eleito pelos mineiros, participei da formulação da Constituição Federal e presidi a Câmara dos Deputados, quando aprovamos mudanças históricas no Parlamento. Entre elas, o chamado “Pacote Ético”, com a criação do Conselho de Ética, do Código de Ética e o fim da imunidade parlamentar para crimes.

Como governador do nosso Estado, fizemos as principais reformas estruturantes com o Choque de Gestão e os maiores investimentos em saúde, educação e obras em todas as áreas. Minas se tornou referência para a administração pública no Brasil. Fui senador entre 2011 e 2019 e volto novamente ao Senado Federal para resgatar o protagonismo que tivemos.”

  • Caso seja eleito, como pretende representar Juiz de Fora e a Zona da Mata no Senado? Quais demandas da região estarão entre suas prioridades?

“Há uma demanda específica de Juiz de Fora com impacto direto sobre Ewbank Câmara, Santos Dumont e Matias Barbosa que, se eu for eleito, irei atuar junto ao governo federal, ao governo estadual e à direção da Mercedes-Benz que é potencializar a fábrica da montadora. Uma das mais modernas plantas automobilísticas do mundo e que está subutilizada. A indústria automobilística tem uma enorme capacidade de formar uma cadeia de outras indústrias fornecedoras, o que significa gerar empregos diretos e indiretos.

Em meu governo, construímos o Aeroporto Itamar Franco, que tem vocação de ser um hub, um polo de atração de investimentos industriais e de serviços, a partir do esgotamento da capacidade dos grandes aeroportos brasileiros.

Pode ser feito um grande centro logístico, unindo esse esforço da Mercedes e a potencialização do aeroporto, com atração de outros investimentos.”

  • A dívida pública de Minas é um dos principais desafios financeiros do Estado. Qual será sua posição sobre a renegociação dessa dívida e como pretende atuar no Senado nessa discussão?

“Eu havia tomado uma decisão de me dedicar, nos próximos anos, à recuperação do espaço político do centro do Brasil, através da presidência do PSDB, que exerço hoje. Foi exatamente a compreensão da gravidade financeira porque passa Minas Gerais que me levou a concluir que tenho um papel central a cumprir. O Senado é mais vital do que nunca para que possamos rediscutir a negociação da dívida do Estado.

Já pagamos hoje pouco mais de 100 milhões de reais mensais, a partir da negociação do Propag. Nos termos atuais, essa conta chegará a 500 milhões, inviabilizando, inclusive, despesas básicas do Estado, como o pagamento dos servidores.

Minha proposta é fazermos o Propag 2, alargando o prazo de pagamentos hoje em 30 anos para 50 anos, diminuindo o impacto das prestações na nossa receita corrente líquida, que hoje é de 13%, baixando para 8%, e fazendo com que os recursos pagos pelo Estado sejam revertidos para investimentos.”

  • Quais serão suas principais prioridades legislativas e como pretende exercer o papel do Senado na fiscalização do governo federal e na análise de indicações para cargos como os de ministros do STF?

“Minas Gerais se ausentou do debate político nacional. Minha motivação principal para me colocar novamente como candidato ao Senado tem o sentido de dar, de novo, voz política a Minas, retomar o protagonismo de Minas Gerais, espaço que perdemos ao longo dos últimos anos. Tenho 40 anos de mandatos consecutivos. Em todos eles, trabalhei pela desconcentração de decisões e de recursos do governo federal. Centralização agravada muitas vezes mais em razão da polarização rasa e nociva que vivemos.

Com muita determinação e com muita coragem, se eu chegar ao Senado, se eu merecer novamente a confiança dos mineiros, vou fazer Minas falar grosso de novo.

Sobre o STF, que vive uma crise sem precedentes, defendo que, se a existência de crime for comprovada, deve haver punição, inclusive com afastamento da função. Defendo uma reforma no STF que acabe com os mandatos vitalícios, estabelecendo mandatos de 12 anos e idade mínima de 50 anos para acesso a uma cadeira na Suprema Corte.”