Pais costumam perguntar se o filho fez a lição, mas uma conversa diferente sobre a escola pode ajudar a mudar a relação da criança com os estudos
Há um diálogo que é conhecido por quem tem adolescente em casa.

Há um diálogo que é conhecido por quem tem adolescente em casa. A pergunta sobre como foi a escola recebe um “legal” como resposta. A criança que contava tudo passa a responder com monossílabos, fecha a porta do quarto e trata qualquer pergunta dos pais como interrogatório. Muitos desistem de insistir.
O Pisa, maior avaliação de estudantes do mundo, feita com alunos de 15 anos de 91 países, traz um argumento para continuar tentando. Estudantes que relatam receber mais apoio da família tendem a ter melhor desempenho em Ciências e atitudes mais positivas em relação à aprendizagem.
Os resultados foram divulgados neste mês pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. A associação positiva aparece principalmente quando os pais demonstram interesse pela vida escolar cotidiana, perguntam o que o filho fez e aprendeu, querem saber como ele está indo e conversam sobre eventuais problemas.
Efeitos positivos
Na escala do Pisa, 20 pontos equivalem a um ano a mais de escolaridade. Falar sobre o futuro tem efeito diferente. Na média da OCDE, quanto mais os estudantes relatam conversar com os pais sobre educação futura, menor é o desempenho em Ciências. No Brasil, a associação é positiva: conversar sobre educação futura aumenta a nota em 9 pontos.
A mentalidade de crescimento, ideia de que as capacidades se desenvolvem com esforço e aprendizagem, também aparece mais entre estudantes com maior apoio dos pais. O que preocupa é que as conversas do dia a dia estão diminuindo.
Pesquisa recente do IBGE com jovens de 13 a 17 anos mostrou que menos adolescentes acham que seus pais entendem seus problemas: são 63%. Cerca de 26,1% afirmam sentir constantemente que ninguém se preocupa com eles.









