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Barragem na Amazônia apresenta falhas e acende alerta para possível desastre ambiental que pode atingir uma das maiores bacias hidrográficas do Brasil


Por Clyverton Silva

28/09/2026 às 09h46

Barragem na Amazônia apresenta falhas e acende alerta para possível desastre ambiental que pode atingir uma das maiores bacias hidrográficas do Brasil
Foto: Nando Freitas/Pexels

O Ministério Público Federal em Rondônia investiga falhas na Barragem Santa Cruz, no garimpo Bom Futuro, em Ariquemes. A estrutura retém rejeitos tóxicos da maior lavra de cassiterita ao ar livre do mundo, a 200 quilômetros de Porto Velho.

O procurador Raphael Bevilaqua determinou que a Agência Nacional de Mineração avalie a estabilidade da barragem e adote medidas urgentes. Fotos, vídeos e relatos entregues ao MPF apontam falhas no controle de efluentes.

Moradores relataram um vazamento no início deste ano. Se a estrutura ceder, a lama com metais pesados pode atingir a bacia do Rio Santa Cruz, descer o Vale do Jamari e chegar ao Rio Madeira, um dos principais afluentes do Amazonas.

Contaminação não depende de um rompimento

Um técnico ambiental que atua na proteção das barragens do garimpo disse ao GLOBO, sem se identificar, que a contaminação não depende de um rompimento. Segundo ele, o descarte de rejeitos de ferro e o desvio de rios ocorrem há cerca de 40 anos.

Conforme disse ao GLOBO, é o maior crime ambiental da Região Norte e ninguém faz nada contra. Para ele, a Amazônia pode viver uma tragédia como a de Brumadinho.

O garimpo é dividido entre a concessão formal, controlada por grupos minerários e cooperativas, e frentes informais tocadas por garimpeiros. No centro do negócio está a White Solder, que compra quase toda a cassiterita das cooperativas, incluindo a Coopersanta, dona da barragem. A fundidora e a Coopertin são rés na Justiça Federal por explorar terras da União e lavar minério de áreas protegidas.