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Aos 6 anos, menina sofria sempre que precisava vestir uma roupa e ninguém entendia o motivo até esse detalhe ajudar os médicos a chegar a um diagnóstico raro

A rejeição inexplicável às roupas levou a mãe a descobrir uma condição neurológica rara que mudou tudo em poucas semanas. Até os 6 anos, Seramina levava…


Por Bernardo Teixeira

28/09/2026 às 17h08

Aos 6 anos, menina sofria sempre que precisava vestir uma roupa e ninguém entendia o motivo até esse detalhe ajudar os médicos a chegar a um diagnóstico raro
Imagem gerada por inteligência artificial

A rejeição inexplicável às roupas levou a mãe a descobrir uma condição neurológica rara que mudou tudo em poucas semanas. Até os 6 anos, Seramina levava uma vida normal, e então, sintomas perturbadores surgiram de forma abrupta. O que parecia ser apenas sensibilidade sensorial evoluiu para crises de ansiedade e comportamentos cada vez mais angustiantes.

A família passou meses em busca de um diagnóstico, enquanto vários profissionais descartavam a possibilidade de algo grave.

Os primeiros sinais que ninguém levava a sério

Aos poucos, a menina passou a puxar as próprias roupas e a reclamar do contato dos tecidos com a pele, e peças simples, como meias, logo se tornaram insuportáveis.

A pediatra considerava o comportamento passageiro e normal para uma criança daquela idade. Mas, em vez de desaparecer, o problema se intensificava dia após dia. Seramina abandonou as aulas de dança porque as meias-calças a incomodavam. A mudança contrariava a menina curiosa e sociável que ela era.

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Foto: Alexis Sestito

A escalada rápida dos sintomas

Junto com a sensibilidade extrema vieram mudanças de humor abruptas que não combinavam com sua personalidade. Quando a escola informou à mãe, Alexis Sestito, sobre sinais de comportamento obsessivo e ansiedade excessiva, ela percebeu que algo estava muito errado.

A piora acelerou, e em poucas semanas, Seramina se recusava a frequentar as aulas e dependia completamente da mãe, ao contrário da menina independente que havia sido. Uma noite, acordou desesperada e pediu ajuda, e seus sintomas se intensificaram ainda mais.

A mãe relatou que os olhos da menina pareciam transformados e escuros. Seramina se comportava como alguém presa em um estado permanente de terror e sofrimento, mas não conseguia explicar o que sentia.

O diagnóstico que explicava tudo

A hipótese surgiu em uma conversa casual. Uma amiga mencionou a PANS (Síndrome Neuropsiquiátrica Pediátrica de Início Agudo), uma condição rara em que o sistema imunológico se desregula e causa inflamação no cérebro. Essa inflamação provoca mudanças comportamentais súbitas e intensas.

O que parecia ser um problema psiquiátrico tinha origem imunológica. Ao pesquisar sobre PANS, Alexis percebeu que todos os sintomas se encaixavam: o início repentino, a gravidade inesperada e a rápida escalada do quadro. Ela levou a hipótese à pediatra, que a descartou imediatamente por considerá-la “rara demais”.

O estigma de um diagnóstico controverso

A família encontrou resistência entre os profissionais de saúde. Vários médicos chegaram a desaconselhar que mencionasse a doença, porque isso poderia fazer com que Seramina fosse levada menos a sério no atendimento.

Durante crises agudas, dois hospitais diferentes orientaram a família a insistir no caminho psiquiátrico. Aos 7 anos, Seramina recebeu a prescrição de um antidepressivo, embora a mãe acreditasse que a causa fosse imunológica, e não apenas emocional.

O caminho para a recuperação

Sem respostas na medicina tradicional, Alexis passou a investigar por conta própria. Participou de comunidades de apoio e encontrou um estudo sobre deficiência de folato cerebral em crianças com PANS. A pesquisa mostrava que 63,8% dos 47 pacientes analisados apresentavam anticorpos específicos. Um exame de sangue confirmou que Seramina tinha esses anticorpos.

O tratamento da deficiência de folato com ácido folínico reduziu significativamente os sintomas. Seramina começou a se recuperar aos poucos, e um dia, acordou sem chorar; no outro, vestiu a roupa sem hesitar, e depois, pediu para retomar as atividades que havia abandonado.

Aos 9 anos, Seramina ainda convive com a condição, mas já consegue falar sobre o que sente. A família continua enfrentando crises, porque a PANS exige suporte imunológico de longo prazo, não apenas um único tratamento.

A mãe defende que, quando uma criança muda drasticamente, as famílias possam dizer “PANS” e que essa conversa seja recebida com curiosidade, reconhecimento e disposição para investigar mais a fundo.