Greve afeta atendimento no INSS

Servidores do INSS, Saúde, Ministério do Trabalho, Anvisa e Previdência de Juiz de Fora aderiram à greve nacional e suspenderam suas atividades. Hoje funcionários do Ministério do Trabalho começam uma paralisação de 72 horas, voltando aos seus setores só na segunda-feira, quando a categoria deve se reunir para decidir se entra em greve por tempo indeterminado. Durante os três dias em que ficarão parados, a estimativa é que cerca de 360 pessoas deixem de ser atendidas. De acordo com a servidora do Ministério do Trabalho, Letícia Protta, o objetivo é pressionar o Governo federal para que prevaleça a proposta do sindicato. “Queremos aumento linear de 27%, plano de carreira, incorporação de titularização e reajuste do tíquete-alimentação, entre outros”, pontua Letícia, lembrando que o governo sinalizou com reajuste salarial de 21,03%, não repondo a inflação dos últimos quatro anos.
Ela explica que a categoria não tem uma lei de greve específica e que, por isso, é adotada a legislação geral. “O Supremo Tribunal Federal não considera nossa atividade como essencial e, assim, não precisamos cumprir aquele percentual que estas atividades são obrigadas.” Letícia adverte que todo o atendimento ao público ficará prejudicado (ver quadro). “Para o seguro-desemprego, as pessoas podem se dirigir ao UAI (Unidade de Atendimento Integrado). Já para a carteira de trabalho fica mais difícil, porque, no UAI, é feita apenas a sua digitalização e não sua montagem. No setor de homologação, atualmente, temos dois servidores, e eles já estão em greve.”
Já no INSS, onde os servidores entraram em greve ontem, cerca de 90% estão parados, afetando serviços como requerimento de aposentadorias, pensões e auxílios (ver quadro). A greve foi deflagrada após várias tentativas de negociações. Em 25 de janeiro, foi enviada a pauta de reivindicações aos governantes. Os grevistas em geral pedem reajuste salarial de 27%, concurso público para repor quadro funcional, incorporação das gratificações, plano de cargos e carreiras, 30 horas de trabalho sem redução salarial, fim do assédio moral, redução das terceirizações na saúde, isonomia salarial e paridade entre ativos e aposentados e reajuste de benefícios, como alimentação.
A contraproposta do Governo de reajustar em 21,3%, de forma parcelada até 2019 foi rejeitada pelos trabalhadores. “Só as perdas de 2015 giram em torno de 9%. Queremos o reajuste de 27% de uma só vez, mesmo que seja no ano que vem. O reajuste precisa ser no vencimento básico e não nas gratificações”, afirma a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Seguridade Social, Saúde, Previdência, Trabalho e Assistência Social (Sintsprev/MG), Cleuza Faustino.
No estado, 60% dos trabalhadores já aderiram à greve. Pelo menos 27 cidades de Minas Gerais estão com os serviços paralisados. Dos 30 mil funcionários do INSS atuantes no país, apenas 4.600 estão trabalhando.
Na próxima terça-feira, deverá acontecer uma assembleia regional em Juiz de Fora. O local e horário ainda serão divulgados.
Audiências suspensas no Judiciário Federal
Servidores do Judiciário Federal de Minas Gerais realizam hoje, em Belo Horizonte, às 13h30, assembleia geral, para decidir os rumos da greve iniciada em 10 de junho. Em Juiz de Fora, a categoria também se reúne às 16h. Os trabalhadores reivindicam aumento salarial, já que afirmam que o último reajuste ocorreu em 2006.
De acordo com o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal do Estado de Minas Gerais (Sitraemg), Alexandre Magnus, em Juiz de Fora, assim como em todo o Brasil, várias audiências estão sendo canceladas e suspensas, uma vez que só 40% dos servidores estão sendo mantidos no trabalho. Magnus não soube dizer quantas sessões foram atingidas na cidade, mas garantiu que todas serão marcadas para depois do movimento.
“Atualmente, são cerca de 110 funcionários. Destes, entre 60 e 70 estão parados. A ideia do movimento não é prejudicar a sociedade e muito menos os trabalhadores”, ressaltou Magnus, acrescentando: “Não temos data-base, que funciona como gatilho para a reposição inflacionária de forma anual. Como não a temos desde 2006, estamos acumulando perdas.”









