Funcionário passa 17 anos no mesmo supermercado, tenta impedir furto de ovos de Páscoa de R$115 e dois dias depois perde o emprego; rival oferece nova vaga
Walker Smith perdeu o emprego dias depois de tentar impedir um cliente de sair com uma sacola cheia de ovos de Páscoa Lindt Gold Bunny, vendidos a £13…

Walker Smith perdeu o emprego dias depois de tentar impedir um cliente de sair com uma sacola cheia de ovos de Páscoa Lindt Gold Bunny, vendidos a £13 cada, aproximadamente R$115. Ele havia trabalhado por 17 anos na mesma loja do Waitrose em Clapham Junction, no sul de Londres.
Um comprador o avisou que alguém havia enchido uma sacola do supermercado com os chocolates. Quando alcançou o suspeito, que reconheceu como infrator reincidente, os dois disputaram a sacola por alguns instantes. A sacola se rompeu durante a disputa, e os ovos caíram no chão enquanto o autor do furto corria para a saída.
A reação que custou o emprego
Um dos coelhos de chocolate se partiu na queda. Em entrevista ao The Guardian, Smith disse que jogou um pedaço em direção a alguns carrinhos de compras, por frustração, sem mirar na pessoa. A gerência o repreendeu imediatamente, e ele se desculpou logo em seguida, mas o caso foi levado adiante.
Smith já havia sido orientado a não confrontar suspeitos de furto. Ainda assim, depois de cinco anos presenciando o problema, afirmou que vê furtos acontecerem a cada hora de cada dia. Ele citou dependentes químicos, adolescentes que levavam produtos escondidos e pessoas com garrafas de vinho debaixo do braço.
Funcionários como Smith tinham pouco a fazer: a loja havia reduzido a segurança e não mantinha guardas às segundas e terças-feiras.
Demissão inesperada
Ao chegar em casa, Smith se recriminou pela reação impulsiva. Dias depois, foi chamado para uma reunião com dois gerentes e embora já pressentisse o desfecho, tentou argumentar que o Waitrose era como uma família para ele, e mesmo assim, foi demitido. Smith disse que foi conduzido para fora pela porta dos fundos, próxima às lixeiras, e saiu desmoralizado.
O ex-funcionário tinha diagnóstico de ansiedade, conhecido pelos gestores, e antes de perder o emprego, havia acabado de se mudar para um estúdio próprio, depois de 25 anos morando com colegas. Agora temia não conseguir manter a moradia e ficar sem teto, com a confiança abalada pelo episódio.
Furtos em alta no varejo britânico
O caso ocorre em meio a um aumento nos registros de furto em lojas na Inglaterra e no País de Gales. Dados do Escritório Nacional de Estatísticas apontam 519.381 ocorrências de furto em estabelecimentos no período de doze meses até setembro de 2025, alta de 5% frente às 492.660 registradas no ciclo anterior.
O número ficou pouco abaixo do recorde de 530.643 casos contabilizados no período de doze meses até março de 2025.
Em fevereiro, o sindicato varejista Usdaw classificou como inaceitáveis os níveis de violência e abuso enfrentados por trabalhadores do setor, atribuindo boa parte dos ataques a episódios de roubo ou furto. Outro caso semelhante ocorreu em uma rede concorrente: um funcionário da Morrissons foi demitido após 29 anos de trabalho por ter reagido a uma cusparada de um ladrão reincidente.
Uma segunda chance
Após a repercussão do caso de Smith, uma rede concorrente ofereceu uma vaga ao funcionário, que poderá recomeçar fora do supermercado onde construiu quase duas décadas de carreira.
Smith também disse que não se considera uma pessoa violenta ou agressiva. Segundo ele, a frustração vinha de testemunhar furtos recorrentes sem ver a empresa lidar adequadamente com o problema.








