Peruana de 23 anos volta do Brasil com creme de R$20, grava vídeo sem receber nada e faz marca mineira passar de 1 para 42 contêineres enviados aos EUA
Uma fábrica mineira precisou reestruturar sua operação nos Estados Unidos depois que uma gravação amadora, feita sem qualquer acordo comercial e sem citar…

Uma fábrica mineira precisou reestruturar sua operação nos Estados Unidos depois que uma gravação amadora, feita sem qualquer acordo comercial e sem citar a marca, ganhou proporção inesperada nas redes.
Moradora de Utah e então com 23 anos, a peruana Joana Salvador publicou, em fevereiro de 2023, uma resenha de um creme capilar brasileiro que havia adquirido por menos de cinco dólares numa passagem pelo país. O vídeo somou mais de 20 milhões de exibições, e o volume de pedidos que se seguiu obrigou a Skala a rever toda a distribuição nos Estados Unidos.
Até então, os Estados Unidos recebiam da Skala apenas um contêiner por ano. No mês seguinte à viralização, foram dez, e ao longo dos 12 meses subsequentes, o número saltou para 42 unidades.
No início, as exportações se concentravam em distribuidoras, e depois, a empresa abriu um centro próprio em Dallas e passou a operar seu perfil no TikTok para acompanhar a demanda.
O vídeo caseiro que ninguém planejou
Joana era estudante de Serviço Social quando retornou aos Estados Unidos após meses trabalhando como voluntária no Brasil. Ao desembrulhar pacotes chegados pelo correio, testou o creme na câmera, aplicou no próprio cabelo e comentou que o resultado superava alternativas que encontrava nos Estados Unidos por preço similar.
Não houve contrato nem cachê, e Joana não mencionou diretamente a fabricante. Tudo nasceu como avaliação espontânea de quem tinha testado o produto.
O vídeo acumulou 9 milhões de visualizações no TikTok no primeiro dia e depois dobrou nas semanas seguintes conforme outras usuárias americanas reproduziam o mesmo teste em seus próprios perfis. A Skala só soube do fenômeno ao acompanhar as reações que cresciam na rede social. O alcance orgânico da gravação original era impossível de ignorar.
Três décadas de decisões convergiram num pote
Batizado de Creme de Tratamento Skala Maracujá e Óleo de Patauá, o item que estourou nas redes integra a linha voltada a cabelos cacheados da marca. Nada de lançamento: já estava no mercado brasileiro há anos no formato conhecido internamente como “potão 2 em 1”, que une condicionador e creme para pentear num só pote grande, vendido por menos de R$20.
A trajetória desse produto, porém, começou muito antes: a empresa foi fundada em 1986, em Uberaba. No Triângulo Mineiro, a Skala nasceu apostando em levar o tratamento capilar do salão para as prateleiras de supermercado — em pote grande e preço acessível às famílias brasileiras.
A partir de 2015, a companhia começou a desenvolver linhas específicas para cabelos cacheados e crespos, quando boa parte da indústria de cosméticos ainda tratava esse segmento como nicho pequeno. Em 2017, após notar que as clientes já usavam o creme no cabelo seco para pentear, a marca oficializou essa segunda função no rótulo.
O pote que Joana levou carregava, portanto, três décadas de escolhas sobre público, preço e fórmula. Era vegano, barato e respondia a um tipo de cabelo com pouca oferta equivalente nas prateleiras americanas.
A operação que o TikTok forçou
A demanda cresceu tanto que a Skala expandiu de 2 para 12 distribuidores nos Estados Unidos, abriu um centro próprio em Dallas para centralizar a logística e manter o ritmo de entrega. No mesmo período, as vendas da linha de maracujá também dobraram no Brasil, e o faturamento da Skala subiu 33%.
O que começou como um vídeo caseiro de um creme barato transformou-se em uma operação comercial de escala internacional.









