Uma em cada 10 pessoas no Brasil convive com doença nos rins e muita gente só descobre quando órgão já perdeu parte da função

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), uma em cada 10 pessoas no Brasil tem doença nos rins. O pior de tudo é que muita gente só descobre o problema quando parte da função do órgão já está perdida.
Isso acontece porque, conforme destacado por especialistas da Rede Américas (rede de hospitais), ouvidos pelo portal Terra, uma doença renal crônica é capaz de evoluir no indivíduo sem que ele sinta sintomas do problema. Quando alguns sinais começam a aparecer, é porque o problema já está em um estágio acima do inicial.
O que pode prejudicar os rins?
A doença renal crônica pode estar relacionada a diferentes condições que provocam lesões progressivas nos rins. Entre os principais fatores associados estão diabetes e hipertensão arterial, doenças que podem afetar os vasos sanguíneos e as estruturas responsáveis pela filtragem do sangue.
O risco também pode aumentar em pessoas que já apresentam doenças cardiovasculares, histórico familiar de problemas renais ou determinadas condições que atingem diretamente os órgãos.
Outro ponto importante é o uso de medicamentos. Alguns remédios podem provocar danos aos rins quando utilizados de maneira inadequada ou em determinadas circunstâncias. Por isso, a utilização prolongada de medicamentos sem acompanhamento profissional merece atenção.
Pressão alta e diabetes exigem acompanhamento
A relação com outras doenças ajuda a explicar por que o acompanhamento médico tem papel importante na prevenção.
A hipertensão pode permanecer durante muito tempo sem causar sintomas e, enquanto isso, provocar alterações nos vasos sanguíneos. Como os rins dependem de uma rede vascular extensa para realizar a filtragem do sangue, alterações nessa circulação podem comprometer seu funcionamento.
O diabetes também pode afetar progressivamente os vasos e as estruturas renais. O excesso de glicose no sangue durante períodos prolongados pode provocar alterações que reduzem a capacidade dos rins de realizar suas funções.
Por esse motivo, controlar essas doenças não protege apenas o coração ou os níveis de glicose. Também faz parte das medidas utilizadas para reduzir o risco de comprometimento renal.
Exames conseguem identificar alterações antes dos sintomas
A avaliação da função renal normalmente envolve exames de sangue e de urina. Um dos indicadores analisados no sangue é a creatinina, cuja concentração pode ajudar a estimar a capacidade de filtração dos rins.
A urina também fornece informações importantes. A presença de proteínas, por exemplo, pode indicar alterações nas estruturas responsáveis pela filtragem.
A combinação dessas informações permite que profissionais de saúde investiguem alterações que poderiam passar despercebidas apenas pela observação dos sintomas.
Isso é especialmente relevante para pessoas que apresentam fatores de risco. Nesses casos, o acompanhamento periódico pode permitir que uma eventual alteração seja identificada antes que a perda da função renal avance.
Doença renal não significa necessidade imediata de transplante
Um dos equívocos relacionados ao problema é imaginar que receber um diagnóstico de doença renal significa necessariamente precisar de um transplante.
A evolução da doença ocorre de maneiras diferentes. Algumas pessoas conseguem manter a função dos rins por muitos anos com acompanhamento e tratamento adequado, enquanto outras podem apresentar uma perda progressiva mais acelerada.
Quando a função renal chega a níveis muito baixos, pode ser necessário recorrer à terapia renal substitutiva. Entre as opções estão a hemodiálise e a diálise peritoneal, que assumem parte das funções que os rins deixaram de realizar.
O transplante aparece como outra possibilidade em casos de insuficiência renal avançada, mas não é uma consequência automática do diagnóstico de doença renal crônica.








