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Sono bate forte por volta das 15h e culpa pode não ser do almoço: cérebro tem outro mecanismo que explica o “apagão” da tarde

Um cochilo de 10 a 20 minutos no início da tarde pode reduzir o cansaço e aumentar a disposição.


Por Clyverton Silva

20/09/2026 às 16h48

Sono bate forte por volta das 15h e culpa pode não ser do almoço: cérebro tem outro mecanismo que explica o “apagão” da tarde
Foto ilustrativa: Foto de Vitaly Gariev/Pexels

Um cochilo de 10 a 20 minutos no início da tarde pode reduzir o cansaço e aumentar a disposição, com menor risco de despertar atordoado. A luz natural também ajuda a melhorar o estado de alerta e a memória de trabalho.

Para quem trabalha em ambientes fechados, a iluminação que simula a luz do dia pode cumprir papel parecido. O café funciona por pouco tempo, porque a cafeína bloqueia os receptores de adenosina sem eliminar a necessidade de dormir. Consumido no fim da tarde, ainda pode prejudicar o sono noturno e piorar o cansaço do dia seguinte.

Sono da tarde não é sinal de preguiça

O sono da tarde não é sinal de preguiça. Ele resulta da combinação de fatores biológicos. Um deles é o acúmulo de adenosina no cérebro, que cresce enquanto a pessoa está acordada e aumenta a chamada pressão do sono.

O outro é o relógio circadiano, que regula os ciclos de sono e vigília e promove, no início da tarde, um período natural de maior propensão ao descanso. É por isso que o cansaço se torna mais perceptível nesse horário.

A alimentação também influencia. Refeições muito volumosas podem reduzir a atenção e aumentar a sonolência, embora não haja evidência convincente de que um nutriente específico, como carboidratos, gorduras ou açúcares, seja o responsável direto. A digestão afeta a comunicação entre intestino, metabolismo e cérebro, incluindo circuitos ligados ao estado de alerta.

Pesquisas indicam que a sonolência após as refeições pode envolver mecanismos cerebrais diferentes dos observados na privação de sono, com alterações na atividade do córtex cerebral, região ligada à atenção, à percepção e a processos cognitivos.