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Três cães selvagens atravessam 4.126 quilômetros atrás de um novo lar e fazem a maior viagem de um mamífero terrestre africano já registrada

Uma pesquisa conduzida na Zâmbia registrou a maior jornada já documentada para um mamífero terrestre africano.


Por Clyverton Silva

16/09/2026 às 22h21

Três cães selvagens atravessam 4.126 quilômetros atrás de um novo lar e fazem a maior viagem de um mamífero terrestre africano já registrada
Mabeco (Foto ilustrativa: Karen F/Pexels)

Uma pesquisa conduzida na Zâmbia registrou a maior jornada já documentada para um mamífero terrestre africano. Três mabecos, também conhecidos como cães selvagens africanos, percorreram 4.126 quilômetros pelo país. O trabalho foi realizado por pesquisadores do Programa de Carnívoros da Zâmbia e da Universidade Estadual de Montana, liderados por Scott Creel, e publicado na revista Ecology.

Esses animais costumam deixar suas matilhas quando são adultos jovens, em busca de parceiros e de novos territórios para se reproduzir. No caminho, enfrentam rodovias movimentadas, assentamentos humanos em expansão e armadilhas de arame usadas por caçadores.

Para entender como essa espécie ameaçada se desloca em paisagens dominadas pelo homem, os cientistas instalaram coleiras de rastreamento em alguns grupos e acompanharam suas rotas, velocidades e tentativas de formar novas matilhas.

Destinos muito diferentes

Os resultados mostraram destinos muito diferentes. Em 2021, três fêmeas partiram juntas e viajaram mais de 2.300 quilômetros em 11 meses, mas nunca encontraram uma nova matilha. Uma delas morreu presa em uma armadilha de arame, e o destino das outras duas é desconhecido, embora os pesquisadores acreditem que também possam ter sido capturadas.

Em 2025, outro grupo deixou o Parque Nacional de Kafue. Quatro fêmeas iniciaram a jornada, mas o número caiu para três logo depois. Uma delas percorreu 1.899 quilômetros antes de morrer, provavelmente em uma armadilha. Outra também teria sido capturada, e o destino da terceira é incerto. Já três machos desse mesmo grupo continuaram avançando e acabaram se estabelecendo na Área de Manejo de Caça de Luano, no Ecossistema do Vale do Luangwa, completando o percurso recorde.

Para os pesquisadores, o fato de os mabecos cruzarem distâncias tão grandes entre áreas protegidas reforça a necessidade de manter esses locais conectados.