Mergulhadores começam missão para retirar bombas e munições escondidas no fundo do mar e devolver praias fechadas à população

De acordo com informações obtidas pela AP News, em Israel, mergulhadores deram início a uma missão para retirar bombas e munições que estão escondidas no fundo do mar. O objetivo é que as praias voltem a ser locais totalmente seguros para a população.
A operação acontece no litoral de Rishon LeZion, cidade localizada na região central de Israel, às margens do Mar Mediterrâneo. A área escolhida para o projeto foi utilizada durante décadas como campo de treinamento militar, o que deixou uma grande quantidade de granadas, morteiros e outros tipos de munição espalhados pelo fundo do oceano.
Antes de começar a retirada efetiva dos explosivos, os pesquisadores precisam descobrir exatamente onde esses materiais estão concentrados e entender como eles se movimentam debaixo d’água. Essa etapa é considerada fundamental porque localizar uma munição no fundo do mar é muito mais difícil do que identificar um artefato em terra.
Por que existem bombas no fundo do mar?
O problema está diretamente relacionado ao histórico militar da região. Durante aproximadamente oito décadas, uma parte do litoral de Rishon LeZion foi utilizada para exercícios de tiro.
Nesse período, diferentes tipos de armamentos foram lançados em direção ao mar. Parte deles explodiu durante os treinamentos, mas outros permaneceram no ambiente marinho sem detonação.
A situação criou uma espécie de campo de munições submerso próximo a uma região densamente povoada. Segundo as autoridades israelenses, aproximadamente 7 quilômetros do litoral da cidade foram utilizados como área de treinamento militar.
O problema vai além da possibilidade de uma explosão. Conforme permanecem submersos, os artefatos sofrem a ação da água do mar, o que pode provocar corrosão e liberar substâncias químicas e metais pesados no ambiente.
Além disso, uma munição que permaneceu intacta durante décadas ainda pode representar perigo. Um objeto encontrado por um banhista, pescador ou mergulhador pode ser manipulado acidentalmente e acabar provocando uma explosão.
Como os mergulhadores estão procurando os explosivos?
A primeira etapa do projeto consiste em entender como as munições se distribuem no fundo do Mediterrâneo. Para isso, os pesquisadores estão utilizando versões falsas de diferentes tipos de armamentos.
Os objetos de teste são posicionados em profundidades de aproximadamente 5, 10 e 15 metros. Alguns também recebem sensores de movimento, permitindo acompanhar alterações na posição ao longo do tempo.
Os equipamentos são colocados a diferentes distâncias da costa, chegando a aproximadamente 1,2 quilômetro mar adentro. Depois de alguns meses, os mergulhadores retornam ao local para tentar encontrar os objetos e analisar o que aconteceu com eles.
O procedimento permite determinar se as munições reais provavelmente permanecem próximas do ponto onde caíram ou se podem ser transportadas pelas correntes, ondas e movimentações do fundo do mar.
Essa informação é essencial para definir a extensão da área que precisará ser examinada quando começar a retirada dos explosivos verdadeiros.
Encontrar uma munição no mar é um grande desafio
Uma das primeiras conclusões do projeto mostra justamente a dificuldade envolvida na operação. Durante uma das expedições acompanhadas pela AP, os mergulhadores não conseguiram encontrar alguns dos artefatos falsos que haviam sido colocados anteriormente no fundo do mar.
A dificuldade está relacionada às próprias condições do ambiente subaquático. A visibilidade é limitada, o fundo pode apresentar diferentes formações e os objetos podem ficar parcialmente enterrados.
O tempo de permanência dos mergulhadores também é restrito pela quantidade de oxigênio disponível nos cilindros. Isso significa que cada equipe possui apenas uma janela limitada para localizar os objetos antes de precisar retornar à superfície.
Em uma operação envolvendo munições reais, a dificuldade tende a ser ainda maior. Os mergulhadores precisam identificar os artefatos sem provocar movimentações capazes de alterar sua posição ou aumentar o risco de detonação.
Os primeiros resultados, entretanto, trouxeram uma informação considerada positiva pelos pesquisadores. Os testes indicam que os objetos se deslocaram menos do que o esperado, o que pode significar que a área que precisará ser limpa seja menor do que algumas estimativas iniciais.
Quando a praia poderá voltar a ser utilizada?
A intenção do projeto é liberar aproximadamente 2 quilômetros da faixa costeira de Rishon LeZion para uso da população. O trabalho, porém, não deve terminar rapidamente. Primeiro, os pesquisadores precisam concluir o levantamento da distribuição das munições. Depois, será necessário definir quais áreas apresentam maior concentração de artefatos e estabelecer os métodos adequados para a retirada.
O Ministério da Defesa de Israel pretende reunir dados suficientes para iniciar a limpeza efetiva até o final de 2027. A primeira etapa deverá permitir a recuperação de aproximadamente 150 metros adicionais de litoral em poucos meses.
A expansão completa da área disponível para a população deverá levar anos e exigir investimentos de dezenas de milhões de dólares.
Dessa forma, a missão iniciada pelos mergulhadores não representa uma simples operação de retirada de objetos do fundo do mar. Ela funciona como uma etapa de preparação para uma intervenção de grande escala em uma região que permaneceu restrita durante décadas.
O litoral de Israel tem pouco espaço disponível
A recuperação dessa área também possui uma importância específica para Israel por causa da quantidade limitada de litoral disponível para uso civil.
O país possui aproximadamente 194 quilômetros de costa, mas quase metade desse espaço está ocupada ou restrita por instalações portuárias, usinas de energia, estruturas de dessalinização, bases militares e áreas destinadas a exercícios.
Isso faz com que cada trecho liberado tenha importância para a população.
No caso de Rishon LeZion, a expectativa é transformar uma região que durante décadas esteve associada a treinamentos militares em uma área novamente acessível aos moradores.
A proposta, portanto, combina segurança, recuperação ambiental e ampliação do espaço público. Antes disso, porém, será necessário garantir que o fundo do mar esteja livre de artefatos capazes de colocar banhistas e trabalhadores em risco.









