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PIX passa por mudança completa e novas regras começam a valer a partir de setembro


Por Matheus Chaves

15/09/2026 às 02h42

PIX passa por mudança completa e novas regras começam a valer a partir de setembro
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Pix passou por uma mudança completa em relação a tentativa de aumentar a segurança das transações e facilitar a recuperação de valores enviados em golpes. As novas medidas alteram o funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e ampliam a capacidade das instituições financeiras de acompanhar o caminho percorrido pelo dinheiro depois de uma fraude.

Nova regra aumenta as chances de recuperar o dinheiro

De acordo com informações do portal Tempo Novo, uma das principais alterações está relacionada ao rastreamento dos valores transferidos por meio de golpes. Antes, a instituição financeira conseguia acompanhar o dinheiro principalmente até a primeira conta que havia recebido a quantia.

Com a atualização, o chamado MED 2.0 permite seguir o caminho dos recursos por contas subsequentes. Isso é importante porque criminosos costumam transferir rapidamente o dinheiro recebido para outras contas, dificultando a identificação do destino final.

A nova estrutura permite que o sistema acompanhe uma quantidade maior de movimentações e aumenta a possibilidade de localizar os recursos antes que eles sejam retirados ou novamente distribuídos.

Prazo para contestação passou a ser maior

Outra mudança começou a valer em 1º de setembro de 2026. O período disponível para contestar uma devolução relacionada ao MED foi ampliado de 30 para 80 dias.

Dessa maneira, há mais tempo para que a vítima comunique a fraude à instituição financeira e apresente as informações necessárias para a análise do caso. Mesmo assim, a recomendação continua sendo agir imediatamente depois de perceber que o dinheiro foi enviado para um golpista.

Isso acontece porque o tempo continua sendo um dos principais fatores para aumentar a possibilidade de recuperação. Quanto mais rapidamente a instituição for comunicada, maior tende a ser a possibilidade de bloquear os valores antes que eles sejam transferidos novamente.

Usuário pode comunicar o golpe pelo aplicativo

Outra facilidade já disponível é o registro do alerta de fraude diretamente pelo aplicativo da instituição financeira. A ferramenta permite iniciar o procedimento sem que o cliente precise necessariamente entrar em contato com uma central telefônica.

Esse mecanismo ajuda a reduzir o intervalo entre a identificação do golpe e a comunicação ao banco. A partir do aviso, a instituição pode iniciar os procedimentos necessários para tentar localizar e bloquear os recursos.

Por isso, quem perceber uma transferência fraudulenta deve entrar em contato com o banco imediatamente, informar que se trata de um golpe e solicitar a abertura do procedimento de devolução.

Pix terá mais restrições em aparelhos novos

As mudanças de segurança também atingem os dispositivos utilizados para realizar as operações. Em aparelhos que ainda não foram cadastrados pelo cliente, determinadas transações ficam sujeitas a limites mais restritos até que a instituição financeira consiga validar o dispositivo.

A medida busca dificultar o uso de celulares ou outros equipamentos que tenham sido obtidos ou utilizados por criminosos para movimentar contas de vítimas.

Esse tipo de controle cria uma camada adicional de segurança porque uma transação considerada fora do padrão passa a enfrentar mais barreiras antes de ser concluída.

Transferências durante a noite também têm limites menores

Outra medida envolve o período noturno. As transferências realizadas entre 20h e 6h passam a contar com limites reduzidos.

A mudança está relacionada principalmente a crimes nos quais a vítima é obrigada a realizar transferências sob ameaça, como ocorre em casos de sequestro-relâmpago.

A lógica é reduzir a quantidade de dinheiro que pode ser movimentada rapidamente durante a madrugada. Dessa forma, mesmo que o criminoso consiga obrigar a vítima a realizar um Pix, existe uma barreira financeira que pode limitar o prejuízo.

Banco Central ainda prepara novas ferramentas

As mudanças de setembro não representam o fim das alterações planejadas para o sistema. O Banco Central também prevê novas medidas para reforçar a proteção dos usuários.

Uma delas é o bloqueio cautelar. A proposta permitirá que uma instituição financeira mantenha temporariamente um valor considerado suspeito sob análise por até 72 horas. O objetivo é dar mais tempo para verificar a operação antes que o dinheiro seja definitivamente movimentado.

Também está prevista uma notificação obrigatória de infração, que deverá ampliar o compartilhamento de informações relacionadas a operações suspeitas.

Outra funcionalidade planejada permitirá consultar informações associadas à chave Pix antes da realização de uma transferência. A ferramenta poderá ajudar o usuário a identificar sinais de irregularidade antes de confirmar o pagamento.

O que fazer depois de cair em um golpe no Pix

Mesmo com as novas ferramentas, a recuperação do dinheiro não é automática. O usuário precisa comunicar a fraude à instituição financeira o mais rapidamente possível para que os mecanismos de segurança sejam acionados.

O primeiro passo é entrar em contato com o banco e informar que a operação foi fraudulenta. Também é importante reunir comprovantes, mensagens, informações sobre o contato utilizado pelo criminoso e outros registros que possam ajudar na análise.

O pedido de devolução será então avaliado pelas instituições envolvidas. A existência de novas ferramentas de rastreamento aumenta a capacidade de localizar o dinheiro, mas não garante que a quantia será recuperada.

Isso ocorre porque os criminosos podem movimentar os valores rapidamente entre diferentes contas. Por esse motivo, mesmo com o prazo de 80 dias para contestação, esperar pode diminuir as possibilidades de encontrar o dinheiro.